Jogo da Libertadores x Jogo da UCL: comparar alhos com bugalhos



Não se deve misturar alho com bugalhos ou laranjas com bananas ao se fazer uma comparação. Ou, em outras palavras, coisas diferentes não podem ser comparadas. Assim, é muito difícil, quase impossível, colocar lado a lado times que viveram épocas muito diferentes. O Santos de Pelé x o Barcelona de Pep Guardiola, por exemplo. A Seleção Brasileira de 70 x a Seleção de 82.

Alguém vai elencar alguns parâmetros para se chegar ao melhor. O Santos foi bicampeão mundial, a Seleção de 70 foi campeã e a de 82 fracassou… mas ainda assim nunca se trata de um parâmetro muito exato.

A partir daqui assumo um risco grande de fazer uma comparação proibida. Mas irresistível depois do que aconteceu no Morumbi,quarta-feira. São Paulo e Atlético Mineiro fizeram um jogo em que o objetivo não pareceu ser o gol, mas a ocupação de cada palmo de espaço do campo. Isso não é bom ou ruim, apenas foi como o jogo foi disputado: uma batalha por cada pedacinho de grama, que foi resumido com a gasta expressão “espírito de Libertadores”. Muitas faltas, algumas violentas também apareceram.

Os números não são empolgantes para quem gosta de um jogo mais solto. O São Paulo trocou 260 passes certos e errou 40, contra 249 passes certos do Galo e 59 errados. Foram cinco finalizações do São Paulo, duas corretas. Apenas uma correta do Atlético do total de nove. Ao todo o jogo teve 38 faltas.

A partir deste parágrafo entro no perigoso terreno da comparação “proibida”. Há duas semanas Bayern e Atlético de Madrid se enfrentaram pela semifinal da Liga dos Campeões. O time de Guardiola trocou 512 passes certos e errou 42. O Atlético de Madrid acertou 130 de um total de 167. Os bávaros chutaram 33 vezez ao gol rival e acertaram 22. O Atleti sete vezes, quatro no alvo. O árbitro parou o jogo 20 vezes para apitar falta.

Como procura pelo gol a comparação é muito difícil. O Bayern passou a partida martelando a meta do Atlético do Madrid, que se defendeu como pode, às vezes de forma heroica. O São Paulo até buscou o gol (e conseguiu fazer um), mas a maior parte do tempo tentou se desvencilhar da teia de aranha formada pelos jogadores do Galo no meio de campo que, por muitas vezes, impediu o jogo de progredir (e não por faltas, mas pela forte marcação muito bem feita).

Foram tão diferentes que é até difícil entender que os dois são jogos das principais competições de seus continentes. No jogo da Europa houve um confronto de estilos. O do controle da bola x o controle do espaço. O time alemão chegou à vitória, mas perdeu a vaga na final.

Quarta-feira no Morumbi, os dois times lutaram sobretudo pelo espaço. E como lutaram. A posse de bola, como não poderia ser diferente, ficou muito dividida: 49,9% para o Tricolor x 50,1% para o Galo.

Para quem gosta de enxergar objetivos claros, o jogo europeu foi melhor. Mas não dá para desprezar a entrega dos dois times brasileiros ontem no Morumbi. De fato, comparar um jogo com outro é quase como comparar laranja com banana. Quase um pecado.



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