Você já foi ou será Leicester um dia



Um pouco de fantasia não faz mal a ninguém. Por isso, não custa nada deixar de lado o fato de que o Leicester é financiado por um bilionário tailandês de nome impronunciável (Vichai Srivaddhanaprabha), que injetou uma boa grana no clube. Segunda-feira o conto de fadas teve seu último capítulo: o nanico foi campeão da Premier League, superando gigantes como Chelsea, Manchester United, Arsenal, Liverpool…

É um feito espetacular, talvez a maior zebra da história do esporte. Até então, o maior momento do Leicester havia sido o vice-campeonato inglês na quase pré-histórica temporada de 1928-1929. Portanto, não será um punhado de milhões de dólares que vai diminuir esta epopeia.

Entre tantas razões que emocionam nesta conquista, pelo menos uma delas toca a todos nós: o minúsculo inglês contou uma história que eu e você já presenciamos ou vivemos uma vez na vida. A do mais fraco vencendo o mais forte, a do improvável, do heroico… afinal, é a “esperança de que é possível” que nos move.

A minha história não é tão nobre, mas eu já fui Leicester também um dia. E foi aos meus treze anos. O panorama era o seguinte: campeonato interclasses de futsal (na época “futebol de salão”) do meu colégio. O time da minha sala, modesto… foi avançando, avançando… e chegou à decisão contra um time de marmanjos do último ano do período noturno que havia estraçalhado todos os rivais até então por goleada.

Na minha cabecinha adolescente a turma do “noturno” era algo como gangues de grandalhões malvados que fumavam, matavam aula e desafiavam os professores… Olhando hoje não passavam de moleques mais ousados do que
eu, só isso. Mas funcionou para transformar tudo numa grande história

Fato é que o meu time de magricelas do diurno chegou, mesmo com um goleiro japonês desastrado e um pivô grandalhão de perna dura. E eu na zaga.

Na final o goleiro japonês operou milagres, eu simplesmente anulei o principal atacante do noturno e o pivô grosso fez um golaço e ajeitou a bola para outro gol. Meu time foi campeão ganhando de 2 a 1. Eu tenho a medalha guardada até hoje para marcar para sempre o meu triunfo do impossível.

A conquista épica do Leicester foi isso, o triunfo do impossível. Alguma vez na vida você já viveu isso. Se não viveu, viverá



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