O inimigo de Dunga pode estar lá dentro



Quer um bom termômetro para avaliar se o ambiente anda calmo ou turbulento dentro de um clube ou time de futebol? Veja quantas notícias ruins vazam e viram destaque na imprensa. Isso serve também para governos, mas não é assunto da conversa neste espaço.

Nos últimos anos o sempre blindado São Paulo esteve nas manchetes por conta de escândalos, rachas no elenco, etc, etc. O Corinthians, por outro lado, vive anos de calmaria. Nada estremece o ambiente. Reflexo claro do clima lá dentro, naquele lugar em que Muricy Ramalho costuma dizer que normalmente é intransponível para o torcedor ou a
imprensa. Segundo ele, só 10% do que acontece dentro de um clube o público fica sabendo. Quando este número cresce, pode ter certeza que a coisa não anda bem.

Desde o empate contra o Paraguai pelas eliminatórias, várias informações dos bastidores da Seleção Brasileira vazaram. Primeiro, uma possível rusga entre Dunga e nada menos do que Neymar, o principal astro do time e único comprovadamente craque. Esta história surgiu logo após Daniel Alves dar uma controversa entrevista após o jogo deixando a impressão de que os atletas não concordam exatamente com os métodos do treinador.

A segunda informação que pipocou foi a de que os caciques da CBF cobrariam Dunga em uma reunião, exigindo melhor desempenho do time que patina nas Eliminatórias e está longe de indicar que pode melhorar.

A terceira informação e mais bombástica veio do excelente repórter Martín Fernandez, quinta-feira. Tite foi procurado por gente ligada à CBF e recusou proposta para assumir a Seleção. E mais: gente ligada a Jorge Sampaoli procurou a CBF oferecendo o treinador, mas a entidade recusou. E assim, Dunga segue no comando.

A cabeça do atual treinador da Seleção Brasileira deve estar a mil. Ele, tão obcecado por lealdade, grupo fechado… vem sendo informado pela imprensa, que ele enxerga como seu maior inimigo, do processo de
fritura a que está sendo submetido.

Em 2010 ele conseguiu fechar o grupo e pouca coisa vazou. Desta vez a história é diferente. Ele mal vedou a saída de informações pelos jogadores. E por outro lado não consegue interromper a passagem de informações de dentro da CBF.

A impressão que se tem é a de que Dunga vai caminhando cada vez mais isolado, apoiado apenas por Gilmar Rinaldi. O treinador esbraveja com os mesmos de sempre, sem perceber que o inimigo verdadeiro pode estar mais perto do que ele pode ver.



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