O que queremos da Seleção?



Imagine que estamos lá pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro e seu time não empolga. Na última rodada jogou mal fora de casa contra um adversário pior e conseguiu um empate na bacia das almas, na base da raça. Você olha a tabela e seu time está lá pela 12ª posição. O que fazer? Demitir o treinador? Esperar pra ver se engrena?

Muita gente vai dizer que trocar de técnico toda hora não é solução. Que este, aliás, é um dos motivos para os trabalhos não se desenvolverem e, em última instância, isso é um dos motivos entre centenas pelo estado que nosso futebol se encontra.

Comparativamente, a situação do time hipotético acima é a mesma da Seleção Brasileira nas eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia. O Brasil está em 6º lugar após seis rodadas disputadas.

Antes de você parar de ler por achar que este texto é uma defesa de Dunga, eu aviso que não é. O trabalho do treinador é indefensável, era possível estar fazendo mais com o material que o futebol brasileiro oferece, mesmo descontado o fato de que há pouco tempo para treinamentos e aperfeiçoamento do time.

A frase “era possível estar fazendo mais” escrita no parágrafo acima é o fio condutor desta conversa. “Mais” é possível fazer, sem dúvida. Mas a questão principal em se tratando de Seleção Brasileira é outra. Fazer mais é o que queremos? Ou fazer mais é apenas melhor do que aquilo que está sendo feito agora? E vamos combinar que não é um trabalho tão difícil fazer mais neste momento.

A simples troca de técnico da Seleção Brasileira resolverá nossos problemas imediatos e jogará para baixo do tapete perguntas que devem ser feitas: o que queremos da Seleção Brasileira? Que tipo de jogo merece estar debaixo da camisa que já foi cinco vezes campeã do mundo? Com o próximo treinador, o Brasil vai responder à expectativa de todo o planeta sobre a Seleção Brasileira? A de um time de futebol mágico, que encanta, o do futebol-arte?

Dunga pode ser o primeiro, mas não é o maior dos nossos problemas. Assim como muitas vezes o treinador que não faz um time funcionar não é o maior problema de um clube. A medida que está sendo defendida para resolver a falta de bola da Seleção é a mesma que dez entre dez cartolas de clube adotam quando o time perde demais: chutar o treinador e trazer outro. Sem nunca levar em conta a pergunta principal: o que se espera deste time? Que tipo de jogo?

Tite é o nome preferido para muitos dos que querem Dunga longe da Seleção. De fato, ele é disparado o melhor brasileiro no ofício, muito longe de todos os outros hoje. Está antenado com o que acontece no mundo e faz seus times jogarem. Mas até no caso dele a pergunta é válida: o futebol que Tite sabe fazer um time jogar é o que queremos que a Seleção jogue? Podemos chegar a conclusão que sim (possivelmente chegaremos). Então estamos perdendo tempo.

Agora, se chegarmos à conclusão de que Tite deve ser o treinador apenas porque ele é melhor do que o Dunga, seguiremos atacando apenas parte do problema. Afinal, o que queremos da Seleção Brasileira?



MaisRecentes

Seleção enfrenta seu primeiro tremor



Continue Lendo

Segue o líder



Continue Lendo

O intervalo que mudou tudo



Continue Lendo