Técnico e elenco vivem mundos separados



A frase provocou espanto imediato. E olha que não saiu de nenhuma gravação vazada pela Polícia Federal. – Se achar que preciso de jogadores, pode ter certeza de que vou pedir ao Mattos e ao presidente.

Foi isso o que disse Cuca em entrevista coletiva após a derrota do Palmeiras para o Audax no fim de semana, três dias depois de outro revés, desta vez para o Nacional do Uruguai pela Libertadores.

Como assim? Se houve um time que contratou muita gente nos últimos dois anos este time foi o Palmeiras. Marcelo Oliveira foi demitido porque não conseguia fazer jogar um elenco considerado um dos mais fortes do futebol brasileiro. Mas o Verdão está de novo falando em compras.

Incrível como o ótimo elenco de outro dia se transformou em um grupo cheio de buracos na opinião do torcedor. Agora, um critica a falta de um homem de criação. Outro reclama da fragilidade das laterais. Picharam o muro do Allianz Parque exigindo “elenco campeão!” Mas este elenco foi campeão outro dia, da Copa do Brasil. Na ocasião, a conclusão foi a de que o time chegou lá “apesar do treinador (Marcelo Oliveira) porque o elenco é bom.”

Ainda é muito cedo para qualquer avaliação do trabalho de Cuca, que acabou de chegar. Mas ele também não deveria falar em reforços, afinal, ainda mal conhece as dezenas de jogadores de seu elenco. A questão parece passar pela desconexão entre o trabalho do treinador e o elenco.

No futebol brasileiro, parecem se tratar de dois departamentos de uma empresa que não conversam, quando deveria ser contrário.

Cuca chegou e assumiu um elenco que ele não participou da formação. Quem ajudou a juntar esta turma, Marcelo Oliveira, está desempregado e pode assumir um outro time, montado por outras pessoas… E assim vamos queimando treinadores, jogadores, criticando diretorias e perdendo tempo.

Outro exemplo deste descolamento entre elenco e treinador: Levir Culpi acabou de chegar no Fluminense e Diego Souza já foi embora. Ele foi contratado no começo do ano, indicado por Eduardo Baptista, antecessor do próprio Levir. O Flu contratará outro jogador para seu lugar, que seja do agrado do atual treinador. Mas se valer a estatística, possivelmente o novo elenco montado por Levir será trabalhado por outro sujeito, Afinal, a média de permanência de um técnico nas Laranjeiras é de menos de seis meses nos últimos tempos.

É hora de os cartolas começarem a perceber que um time é formado por treinadores e jogadores. Eles devem estar conectados.



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