No metrô de SP, usar camisa do seu clube é tão perigoso quanto o vão entre o trem e a plataforma



Leia o seguinte parágrafo abaixo com atenção: “Em dias de jogos, evite usar a camisa de seu time no metrô. A sua segurança também depende de atitudes simples como esta.” Agora imagine o parágrafo acima na voz do locutor do metrô, aquele mesmo que pede para você tomar cuidado “com o espaço entre o trem e a plataforma” ou para “não segurar a porta do metrô aberta porque isso atrasa a viagem de todos os outros passageiros.”

Pode ser que esta seja uma prática que existe há muito tempo. Eu não creio que exista, porque sou um adepto do transporte público e estou toda hora no metrô, trem ou ônibus pela cidade de São Paulo. Mas foi exatamente o que eu ouvi na voz que saía do alto-falante do vagão no domingo passado pela manhã.

Que a violência entre torcidas fora da área dos estádios de futebol é o grande problema de segurança relacionado ao esporte não há dúvida. Salvo em alguns casos, as brigas dentro das arenas têm sido mais raras, por conta do policiamento ostensivo, embora elas ainda existam. Mas alguns casos de mortes de torcedores têm ocorrido em emboscadas em estradas, ruas e muitas vezes algum desavisado azarado topa com torcedores rivais dentro de um transporte público e acaba levando a pior.

Uma das soluções encontradas pelas autoridades (e aqui não há nem a insinuação de que fazem apenas isso) foi a de pedir encarecidamente para que o torcedor não use a camisa do seu time em dias de jogos pelo serviço de som do metrô.

Uma das razões para o futebol ser o esporte mais apaixonante e popular do mundo é a sensação de pertencimento que ele provoca no cidadão. O corintiano pertence a uma tribo, o flamenguista a outra, o palmeirense a outra, o vascaíno a outra. E isso vale para todos os clubes, do mais popular ao menos.

Quando o cidadão é impossibilitado de mostrar ao mundo a sua tribo, a torcer perde parte do sentido.

A mensagem implícita que o aviso do metrô passa é a de que torcer para um time e mostrar isso para as pessoas é tão perigoso quanto o vão traiçoeiro entre o trem e a plataforma. Um dslize e ele pode te machucar ou até matar, dependendo da gravidade. O que nos leva a entender com mais facilidade porque hoje tem muita gente utilizando a camisa de times internacionais por aí. Os clubes estrangeiros são mais neutros. Não há perigo de um sujeito utilizar uma camisa do Barcelona e ser hostilizado por um brasileiro torcedor do Real Madrid no metrô de São Paulo.

Claro que a qualidade do futebol jogado no exterior, maior do que aqui, é o fator principal para este descolamento. Mas parece claro que a associação de camisas de clubes brasileiros com a violência é um fator que não pode ser desprezado.

Um vagão de metrô acabou se transformando numa arquibancada ambulante. Se você torce para um time e ele está repleto de torcedores rivais, tenha a sorte de não estar fardado.

É mais ou menos como se fosse um estádio lotado em que você não teve outra alternativa a não ser se sentar na arquibandada do rival. Seu time fez um gol e você teve que engolir a comemoração. Uma atitude simples, que garante a “a sua segurança”.



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