A raça apareceu. E isso mostrou que faltam outras coisas ao São Paulo



Já está tatuado no sentimento do torcedor são-paulino que tudo o que aconteceu de ruim em campo nos últimos longos anos foi resultado da falta de vontade que o time demonstrou. O momento mais alto desta sensação foi quando o Tricolor foi surrado impiedosamente pelos reservas do Corinthians em Itaquera no Brasileirão do ano passado. O rival já era o campeão brasileiro e o time do Morumbi lutava ainda por uma vaga na Libertadores.

No dia seguinte, o recém empossado presidente Carlos Augusto de Barros e Silva veio a público para dizer que a página seria virada e que em 2016 a falta de comprometimento não seria mais motivo de vexame. No finalzinho de 2015 foi contratado aquele que seria o ponto de partida para a nova era: o argentino Edgardo Bauza, bicampeão da Libertadores. Chegava com a credencial de montar times duros, fortes defensivamente e com sede de vitórias, mesmo que suadas.

Há tempos no São Paulo há uma impressão de que o elenco é bom. Se bem treinado e injetada uma dose de “vontade de vencer” não haverá outro caminho senão o da glória. Os títulos voltarão. O clube estará de novo exercendo seu papel de Soberano.

O vexame contra o The Strongest no Pacaembu forçará uma mudança de diagnóstico. Não houve falta de vontade. Pode ter havido um toque ou outro de calcanhar de Michel Bastos. Mas houve mesmo falta de… bola.

Curioso é que, em determinado momento, quando o time já perdia dos bolivianos e não encontrava formas de reagir, o grito da torcida foi o mesmo de sempre, exigindo raça. Tanto ela esteve presente que o São Paulo vem parecendo mais afoito do que deveria em campo, talvez fruto da vontade de vencer a todo custo.

No clássico contra o Corinthians a derrota veio fruto de uma falha grotesca individual. Mas em nenhum momento o time deixou de lutar. De qualquer forma perdeu, como sempre vem perdendo do rival, sobretudo em Itaquera.

O São Paulo repetiu, na partida contra o The Strongest, o que fez contra o Cesar Vallejo. Domínio territorial, mas imensa dificuldade de transformar em gols o controle do jogo. Diferentemente do que ocorria até o ano passado, quando o time tinha a bola em seus pés, mas uma fragilidade defensiva muito mais apavorante.

Ainda não é possível decretar o fracasso da nova comissão técnica do São Paulo. O tempo de trabalho ainda é muito curto. E é importante ressaltar que a maneira como Bauza pensa o jogo é absolutamente diferente daquela deixada por Osório. De um time ultra-ofensivo, o Tricolor tenta se transformar em um outro, com a maior parte das suas preocupações no âmbito defensivo. Leva tempo para um grupo assimilar essa transformação. E talvez até mesmo Bauza ainda tenha pensamentos divididos quanto a isso. Sua alteração no intervalo do jogo, trocando Hudson por Calleri, talvez tenha sido algo que contrarie até mesmo as convicções do argentino. Quem sabe?

O fato é que a derrota do São Paulo para o The Strongest vai além de um vexame histórico. Ela coloca na mesa outros ingredientes. Um deles: agora que o time demonstra vontade em campo, é necessário achar o futebol. Se ele não for encontrado logo, a conta começará a ser cobrada do elenco. Não do ponto de vista da dedicação, mas da capacidade de estes jogadores formarem um time competitivo de fato.



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