Wendell Lira mostrou o futebol ao mundo



O estádio está vazio. Atrás do gol, uma ambulância triste com as luzes acesas piscando chamam mais atenção do que a jogada que acontece dentro de campo. Uma troca de passes rápida e envolvente e um golaço com jeitão de acrobacia acontece. Na comemoração do autor, é possível ver como seu uniforme está manchado por inúmeros mini-patrocícinios. Uma autêntica prateleira de supermercado.

O cenário do gol de Wendell Lira é este descrito acima. Tem ingredientes suficientes para não ser eleito o mais bonito do ano. Tem até um gol concorrente que muito mais difícil de ser executado, o de Messi, em que ele dribla meio time adversário e faz o gol, numa DECISÃO de campeonato, quando a partida estava enroscada.

Mas e daí? O gol de Wendell Lira é muito mais simbólico e interessante no seu contexto do que este e vários gols de Messi. Primeiro porque foi feito por alguém muitas vezes menos talentoso do que o argentino. Segundo porque é um jogo do estadual de Goiás e o time é o Goianésia e não o multimdidiático Barcelona jogando a milhardária Liga Espanhola.

Wendell Lira provavelmente não está em nenhum videogame. Portanto, nenhum moleque de 13 anos sabe se ele chuta bem de perna esquerda, direita, cabeceia ou como corre. Também porque Wendell Lira é um personagem real em um mundo do futebol cada vez mais irreal. A festa que premia o melhor do mundo da Fifa é o maior exemplo disso. Tapete vermelho, mulheres lindas, ternos espalhafatosos, luzes e etc. Um mundo que provavelmente o brasileiro de Goiânia só pode sentir pela primeira (e provavelmente única vez) na vida nesta segunda-feira.

Como uma Cinderela tupiniquim, o atacante teve direito de entrar na festança dos bacanas para representar mais de 90% do mundo do futebol. Os 10% restantes estavam lá com seus carrões, mulherões e sorrisos.

Pelo menos por um dia, que se dane o cabelo do Cristiano Ronaldo, os números assombrosos de Messi ou a habilidade e talento de Neymar. Segunda-feira foi o dia em que Wendell Lira mostrou que existe um mundo real na bolha de “excelência” em que foi transformado o futebol.



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