Campos padronizados vão mudar o jogo no Brasil



Diante de tanta lama que jorra de dentro das entidades esportivas, o assunto passou meio despercebido. Mas será importante a partir de 2016 perceber uma mudança nos jogos dos campeonatos brasileiros das éries A e B e também no Campeonato Paulista. A CBF determinou a padronização no tamanho dos gramados, que terão as medidas utilizadas na Copa do Mundo: 105m x 68m. A Federação Paulista de Futebol determinou o mesmo.

Dos 19 estádios utilizados como principal local do mandante pelos clubes no Brasileirão 2015, nove estavam fora do padrão que será adotado a partir de 2016. A sugestão da padronização foi feita por alguns treinadores, entre eles Levir Culpi, que dirigiu o Atlético Mineiro em 2015. O estádio Independência, utilizado pelo Galo, tem as dimensões que serão obrigatórias em 2016. E não há quem possa duvidar de que estas dimensões são muito amigáveis para o tipo de jogo veloz e intenso do time mineiro.

Quem acompanhou o futebol brasileiro pós-copa de 2014 percebeu claramente como o palco interfere diretamente no jogo dentro de campo. As dimensões mais apertadas, também usadas por exemplo na Premiere League, tornam o jogo mais rápido. A bola corre mais, os espaços são menores, a velocidade, a preparação física e, claro, o entrosamento do time contam muito.

Compare uma partida na Arena Itaquera com outra no Serra Dourada, por exemplo. Estamos falando de um gramado com as dimensões que serão exigidas em 2016 contra outro muito maior: 110m x 75m. São jogos muito diferentes. Um rápido e sem espaço, o outro lento, com espaços generosos.

Isso evidentemente influencia no comportamento de um time em campo. O São Paulo é muito forte no Morumbi porque o seu tipo de jogo, mais cadenciado e de toque de bola, se encaixa bem com o amplo gramado do Morumbi: 108,25m x 72,7m. Com a padronização, esta vantagem tenderá a diminuir e muito.

Até mesmo a montagem do elenco dos clubes será influenciada por este padrão. Jogadores mais intensos e rápidos terão mais facilidades do que jogadores lentos e que precisam de tempo para pensar o jogo. Não dá para saber se as comissões técnicas e diretorias dos clubes estão pensando isso, mas deveriam. Será um fator importante no desempenho.

Quem é mais velho, tem na memória algumas máximas relativas aos diferentes estádios ao redor do Brasil: o tamanho latifundiário do Serra Dourada (que vimos até este ano), o gramado mais fofo e lento do Mineirão (que não existe mais), os gramados mais pesados e molhados do Sul do país… e por aí vai. Estas características do campo entravam no liquidificador de ingredientes que determinavam o destino de um time em uma partida. Além da força da torcida, jogar em casa também era importante porque havia uma característica do campo que o time anfitrião sabia explorar melhor. Isso vai diminuir.

Verdade que o tamanho do campo não ajudou alguns times em 2016. A Ressacada (105m x 73m) é maior do que o padrão que a CBF quer e o Avaí caiu. E também o Goiás e seu imenso Serra Dourada. Mas o torcedor terá de se acostumar com um tipo de jogo mais padronizado entre os times.

Aquela história de que no campo tal a coisa é difícil pelas dimensões não vai existir mais. Será cada vez mais a organização e o talento da equipe, aliados à força da torcida.



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