Paulo passou raspando no vestibular



Paulo é um menino inteligente. Todo mundo sabe que ele tem um potencial enorme. Em casa, no círculo de amigos e na escola. Ele também acha que é muito bom. Talvez mais do que seja de verdade.

Paulo passou o ano brincando de estudar. Uma hora ia mal numa prova, levava bronca dos pais e na semana seguinte tirava 10 e achava que aquilo era uma senha para mais algumas semanas de preguiça.

2015 foi ano de vestibular para Paulo. Nos primeiros meses ninguém nem ele mesmo aceitava menos do que ingressar em uma universidade pública entre as melhores do país. De preferência a melhor.

Paulo não levou em conta a concorrência, vacilou ao longo do tempo com sua conhecida preguiça e soberba e a vaga na melhor universidade ficou para outro aluno.

Problemas dentro de casa também tiraram a concentração e o (pouco) foco do garoto.

Ontem foi dia do último vestibular do ano para Paulo. Mesmo com tudo o que fez de errado em 2015 e de outros problemas, ele chegou com boas condições de passar nesta prova final.

Acreditando como sempre que apenas o seu talento e inteligência seriam suficientes para garantir boa nota, fez a prova na maior preguiça. Foi respondendo questão a questão como se estivesse fazendo um jogo de palavras cruzadas em casa.

Olhava o relógio a todo momento pra ver se ainda faltava muito tempo para ele poder sair dali e finalmente entrar em férias. Olhava também para o lado, onde um menino de rosto vermelho não tirava o olho da prova, resolvia cada questão com concentração total e só às vezes olhava para Paulo e via ali uma tranquilidade irritante.

Já no finalzinho da prova, Paulo resolveu alguns pares de questões com o mínimo de atenção e acertou todas. Foi o suficiente para ele olhar a lista de aprovados e ver o seu nome lá.

Todos ficaram felizes com o objetivo alcançado por Paulo. Foi uma sensação de alívio porque o desfecho poderia ter sido bem pior.

Em 2016, Paulo terá outros desafios pela frente. A família e os amigos esperam que ele leve o ano com um pouco mais de vontade. Em casa, as coisas estão mais calmas.

O medo é o de que Paulo pense que ingressar na faculdade é o fim, quando na verdade é só o começo.

Se fosse um time de futebol, Paulo seria o São Paulo.



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