Seleção burocrática de novo



O adversário não era dos mais fortes, o jogo era em casa e a torcida compareceu. Mas se existe uma única certeza nos jogos da Seleção é a de que ela não vai empolgar, ganhando, perdendo ou empatando.

Nesta terça-feira aconteceu mais uma vez. A vitória contra o Peru veio com enorme dose de previsibilidade, sonolência e burocracia. A começar pelo trio de frente. A proposta de jogar sem um centroavante clássico enfiado na área é interessante. Mas para funcionar, os jogadores precisam se movimentar para confundir a marcação e abrir espaço. No caso do time de Dunga, era Willian na direita, Douglas Costa na esquerda e Neymar pelo meio. Este, ao menos tentando se mexer um pouco mais.

Sorte de Dunga que Willian estava numa boa noite e por ali o Brasil fez suas melhores jogadas.

Mas foi possível encontrar boas novas no time, mesmo com o jogo burocrático. Elias foi uma delas. Diferentemente de outras partidas, ele pareceu ter ganhado licença de Dunga para ir mais à frente, como faz com muita competência no Corinthians. O primeiro gol da partida ainda no primeiro tempo saiu de uma jogada em que ele estava com bola dentro da área quando serviu na direita para Willian cruzar. Douglas Costa marcou.

O jogo praticamente ficou decidido quando Renato Augusto fez o segundo gol da Seleção no segundo tempo e este talvez tenha sido o momento mais emocionante da partida. O jogador do Corinthians levou a mão ao rosto na comemoração, emocionado.

Depois de tantas contusões que limitaram seus movimentos e o obrigaram a mudar até a maneira de jogar, ele deu a volta por cima com uma temporada excelente.

A partida poderia ter acabado ali. O rival, naturalmente fraco, estava mais inofensivo ainda, mas ainda houve tempo para mais um gol.

Com a vitória o Brasil se recupera nas eliminatórias e já se coloca na terceira posição. As boas atuações de Elias, Renato Augusto e William (este bem na frente e muito participativo na recomposição defensiva) valem destaque.

Para Dunga, ganhar em casa, seja como for, é o que vale. Mas depois dos 7 a 1 a impressão que se tem é a de que é necessário mais do que isso. Vitórias burocráticas só dão pontos na tabela, mas não aquecem o coração do torcedor.



  • Charles Ubiratan

    Verdade, consegui dormir logo depois do primeiro gol.

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