Esporte virou alvo do terror



Uma das cenas mais bonitas da história das copas do mundo aconteceu em 1988. Estados Unidos e Irã, inimigos diplomáticos, se enfrentariam na primeira fase do torneio. O inevitável clima de tensão que surgiu desde o dia do sorteio dos grupos até o momento do jogo se dissipou quando os times entraram no gramado. Os jogadores do Irã entregaram flores aos rivais. Se fora de campo os Estados Unidos eram chamados de “O Grande Satã” pelo governo iraniano, dentro foram encarados como um adversário e não mais do que isso. O Irã venceu por 2 a 1 em uma partida sem nenhum grande problema, em que o espirito esportivo deu o tom.

Exemplos diferentes deste, em que questões políticas e ideológicas foram levadas ao jogo, não são raros, pelo contrário. Torcedores da Bósnia e da Sérvia & Montenegro entraram em uma batalha campal nas ruas de Belgrado após jogo que valia a classificação para a copa de 2006.

Mas em tempos de ódio e desesperança, é mais positivo relembrar de ao menos um fato que nos traga algum tipo de paz ao coração. O problema é que estes bons exemplos parecem não ter tido nenhum efeito quando acontece algo como o massacre em Paris. Mais precisamente quando o palco de um dos ataques é um estádio de futebol com 80 mil pessoas.

O atentado ocorrido na maratona de Boston em 2013 foi o primeiro sinal nos anos recentes de que o esporte pode ser alvo direto de terroristas. A bomba no Stade de France sexta-feira foi a certeza.

Para um sujeito que entende como legítimo matar mais de cem inocentes como retaliação a uma política externa de seu país que é decidida nos altos gabinetes do governo, como esperar que se entenda que um palco esportivo é um local de disputa esportiva, mas também um local de congraçamento? Não é possível.

Dois grande momentos esportivos ocorrerão em 2016 no mundo: a Eurocopa -na França anteontem atacada- e a Olimpíada no Rio de Janeiro. Se a intenção do terror é provocar o pânico nas pessoas, já conseguiu. Ninguém mais é capaz de olhar para estes eventos sem pensar na hipótese de algo ruim acontecer. Isso não tem nada a ver com o esporte. Mas o esporte virou alvo.



MaisRecentes

‘Isso aqui é Flamengo’



Continue Lendo

Treinador x Jogador



Continue Lendo

Pressão represada



Continue Lendo