Errar é humano



Há anos, o Google vem testando carros que dispensam o uso de motoristas. Há quem aposte que em um futuro não muito distante estas engenhocas estejam aí, disputando espaço nas ruas com veículos guiados por motoristas de verdade.

Os testes têm sido feitos incessantemente, mas um dos problemas ainda sem solução não está na eficiência dos programas de computador que dirigem carros. Mas nos humanos. É que os veículos são programados para seguir a Lei à risca. O problema é que os humanos não fazem o mesmo, atrapalhando tudo. Exemplo: em um cruzamento um carro do Google não conseguiu seguir adiante no sinal verde porque estava programado para arrancar apenas se os carros da faixa transversal (com sinal vermelho) estivessem totalmente parados. Guiados por humanos, estes carros não estavam na velocidade zero, mas andando bem devagar esperando apenas o sinal abrir. Ou seja: o comportamento humano, digamos, mais maleável diante dos fatos, emperra a ação de computadores.

Mas por que este colunista está escrevendo sobre carros do Google em uma publicação sobre esporte? Eu chego lá. Nas últimas semanas a arbitragem brasileira vive o caos e o descrédito depois de rodadas sucessivas em que praticou erros grosseiros. Entre tantas soluções para o problema, uma das mais razoáveis é a do uso da tecnologia para eliminar falhas, sobretudo na marcação de impedimentos. E neste caso, não há o que dar errado.

A imagem é capaz de resolver mais de 90% dos casos. Mas imagine uma partida de futebol totalmente arbitrada por computadores e robôs. Como isso poderia ser feito em um esporte em que muitas das regras são interpretativas? Como um árbitro poderia dar cartão para um jogador por reclamação? Ele teria de classificar a reclamação como acintosa, leve… E como o árbitro robô paralisaria um jogo quando alguém se machucasse? Como saber se não era cera?

Atenção: entendo que a tecnologia seria muito bem-vinda no futebol, mesmo com algum tipo de prejuízo no andamento das partidas. Mas assim como no caso do carro do Google, o humano pode ser o grande problema. Ele não segue as regras como robôs e computadores programados seguem.



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