O silêncio do comando da arbitragem diminui a credibilidade



A arbitragem brasileira vive uma crise que já dura longos anos. Mas o pico atual de problemas ganhou começou na rodada 17, quando São Paulo e Corinthians empataram em 1 a 1 no Morumbi, com direito a um pênalti claro não marcado para o Tricolor nos minutos finais da partida.

A partir daí foram erros sucessivos e graves até os jogos deste meio de semana, também marcados por falhas grotescas.

Neste período de crise, iniciado na rodada do dia oito de agosto, pessoas ligadas ao apito falaram muito pouco. A rigor, Sergio Correa, o presidente da comissão de arbitragem, veio a público uma única vez. E tratou de exaltar os avanços do departamento sob sua batuta: número de faltas diminuiu, jogadores passaram a respeitar mais a arbitragem… e só.

O número de perguntas para quem manda na arbitragem brasileira aumenta rodada a rodada, à medida que o apito vai agindo decisivamente (que seja de forma involuntária) nos destinos do Campeonato Brasileiro.

Há perguntas desde as mais específicas às mais gerais para serem respondidas. Por que um auxiliar com experiência apenas em Série D foi escalado para Atlético-MG 0 x 1 Atlético-PR? O pernambucano Marlon Rafael Gomes de Oliveira assinalou no mínimo um impedimento errado de forma grosseira, prejudicando o Galo.

Os erros que nas últimas rodadas teriam atrapalhado o Galo e favorecido o Corinthians foram, em sua maioria, obra de árbitros Fifa. A pergunta que Sergio Correa poderia responder é: se os nossos melhores quadros estão errando de forma tão grave, será que a as indicações estão sendo bem feitas? Quais os critérios para alguém se tornar árbitro Fifa? Diante de um quadro tão tenebroso, o que a comissão de arbitragem está fazendo para melhorar o desempenho de seus homens? Como são os treinamentos? Eles têm sido efetivos? Há intercâmbio com arbitragem de outros países? Que tipo de treinamento os árbitros fazem quando vão para a geladeira?

Os árbitros são proibidos de explicarem suas decisões após os jogos. Raramente dão entrevistas. Quinta-feira, Marcelo de Lima Henrique foi a exceção. Foi dele o comando do controverso Atlético-MG 0 x 1 Atlético-MG. Porém, ao ser perguntado não respondeu perguntas técnicas. É proibido de fazer isso.

A crise que assola a arbitragem brasileira já está, há algum tempo, minando a credibilidade do jogo. E este seria o efeito mais devastador para o futebol. Quando os árbitros e a comissão de arbitragem se fecham em copas em vez de vir a público mostrar transparência, todo tipo de hipótese é levantado.

Se Sergio Correa desse entrevista após cada rodada falando das questões controversas, uma aura de transparência surgiria. No mínimo, ele poderia ser contestado. No mínimo, o torcedor poderia saber o que vem sendo feito para que erros grotescos não contaminem um campeonato que é muito bom.

Em vez de falar, a comissão prefere se calar. E quando vem a público prefere levantar números frios que ajudam muito pouco a dissipar a nuvem de suspeita que paira sobre o futebol brasileiro neste momento. Não, não há nenhuma prova de falcatrua. Mas em um mundo em que se explica pouco, qualquer suspeita ganha força.



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