Discurso de Luxa perdeu a magia?



11 de junho de 2003. Vestiário do Mineirão, momentos antes de o Cruzeiro entrar em campo para disputar segundo jogo da final da Copa do Brasil contra o Flamengo. O treinador da Raposa distribui um envelope para todos os jogadores. Para um atleta em especial entrega dois. Dentro do envelope que todos receberam estava uma faixa de campeão. No segundo envelope havia uma fralda, entregue ao então jovem zagueiro Gladstone, que estrearia como profissional naquela partida.

– Qual destes dois envelopes você quer? A faixa ou a fralda? Perguntou o técnico. Gladstone escolheu a faixa, foi a campo, teve atuação segura e o Cruzeiro acabou com o título.

O treinador era Vanderlei Luxemburgo no penúltimo ano de sua carreira em que levantou uma taça nacional.

Muitos jogadores que conviveram com Luxemburgo nos seus anos gloriosos não têm dúvida: foi o melhor treinador com quem trabalharam. A lista, grande, inclui feras como Alex e Deivid.

Sobre o episódio da fralda, o hoje trintão Gladstone garante: a atitude o ajudou a entrar em campo mais leve e seguro.

No comando do Santos, Luxemburgo foi campeão nacional pela última vez em 2004. De lá até hoje, conquistou alguns títulos estaduais e colecionou alguns fracassos. O mistério que paira no ar é: o que aconteceu com o treinador?

Quando fala, Luxemburgo demonstra estar atualizado com o que acontece no mundo. Sabe das novos modelos táticos, conhece jogadores… às vezes defende pontos de vista polêmicos como o de que a Alemanha não foi uma grande novidade na Copa do Mundo. Mas não está alheio ao que acontece.

Os jogadores que passaram pelo comando do treinador reforçam sempre a ideia de que suas preleções injetavam uma energia e confiança enormes no time. E as vitórias apareciam. O que leva a uma suspeita: será que as novas gerações de jogadores são imunes ao discurso de Luxemburgo?

Um atleta que chega a um clube grande hoje vive uma realidade muito diferente daquela do início e até meados dos anos 90. Superação, desafios coletivos… talvez estes conceitos que mexiam com atletas no passado hoje não fazem muito sentido em um mundo individualista, imediatista e pouco paciente.

Talvez o discurso de Luxemburgo tenha perdido a magia.



  • Pedro Oliveira

    Para motivar alguém, é preciso que essa pessoa seja respeitada por todos. No caminhar dos anos, Luxemburgo mostrou ser de má-índole, preocupado em negociar jogadores, anti-ético. Ou seja: sua imagem, ele mesmo jogou no ralo. Aparecer em páginas policiais não é currículo decente…

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