A temporada como preparação



O mês é agosto, mas para alguns clubes grandes do futebol brasileiro o que restou foi terminar o ano dignamente ou emocionar seu torcedor da pior maneira possível lutando contra o rebaixamento.

A rodada do meio de semana da Copa do Brasil tirou de Cruzeiro e Flamengo o sonho de algum título na temporada. Nos dois casos, requintes de crueldade: o Palmeiras venceu de forma categórica em pleno Mineirão por 3 a 2 e o Flamengo conseguiu ser eliminado pelo seu maior rival, que agoniza na lanterna do Brasileiro.

O Atlético Mineiro, que viu a classificação virar pó nos últimos minutos do jogo em Florianópolis contra o Figueirense, ainda tem uma frente possível, o Campeonato Brasileiro, em que briga principalmente contra o líder Corinthians. Apesar de dolorida, a Copa do Brasil ainda era vista quase como um prêmio de segunda linha para quem pode levantar o principal troféu do futebol brasileiro.

O Corinthians vive um caso à parte. O time foi derrotado na primeira partida pelo Santos por 2 a 0 e tinha tarefa inglória pela frente, mesmo em Itaquera. Direção, treinador e jogadores pensaram o óbvio: com a liderança do Brasileiro nas mãos e uma boa campanha, não era mau negócio preservar jogadores na partida de volta da Copa do Brasil para se concentrar no filé mignon da temporada. E isso foi feito. O Timão tem agora uma única frente para brigar. A parte boa é que vai se desgastar menos. A parte ruim é que, caso algo dê errado lá na frente, a torcida vai se lembrar que o time não escalou a força máxima na Copa do Brasil confiando na conquista do Brasileiro.

Voltando aos grandes que ficaram pelo caminho e sem rumo sobre o que fazer no fim da temporada. Sobretudo no caso do Flamengo, este rabicho de temporada deveria ser utilizado como uma preparação para 2016. Não, não é fácil para um clube do tamanho do Flamengo admitir que a temporada acabou e que lhe resta apenas um fim de ano digno e sem nenhuma conquista e nem mesmo grandes momentos. Mas admitir que não há pote de ouro no fim do arco-íris deveria ser o primeiro passo para o ano que vem, que terá mais dinheiro em caixa e mais chances de boas contratações. E é necessário ter a certeza da escolha do comando técnico, já que só na gestão Bandeira de Mello oito técnicos passaram pela Gávea.

O Cruzeiro, outro gigante que terminará a temporada longe de qualquer glória, vê o rebaixamento como uma possibilidade. A conversa de Luxemburgo pós-eliminação na Copa do Brasil de que seu time está a nove pontos do quinto colocado não tem sentido nenhum. Afinal, a Raposa está a apenas um da zona de rebaixamento e a briga do time é para escapar dali. Neste caso, é mais complicado falar em planejamento, mas ainda assim a palavra não pode desaparecer das conversas dentro do clube.

O futebol brasileiro tem ainda grande dificuldade de compreender que campeão será apenas um. Na temporada raramente algum clube, mesmo grande, vai conquistar algo. Há anos que devem servir como reparação para os que vêm em seguida. É errado pensar em um eterno recomeço ano a ano.



  • Henrique

    Então o ano do Flamengo tinha acabado? Sem brigar por nada? Você e o PC Vasconcelos foram calados pelo Mengão. Sabem de nada!

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