No Brasileirão, quanto menos ter a bola, melhor



Quanto menos ter a bola, maior a chance de vitória. Pelo menos esta foi a lição que os números deram nos jogos desta última rodada do Campeonato Brasileiro. Dos dez jogos disputados, em OITO deles o vencedor Teve menos posse de bola do que o rival.

O campeão da posse de bola improdutiva é o São Paulo. Contra O Atlético Paranaense na Arena da Baixada, o time de Juan Carlos Osório esteve com a redonda em seus pés 50,9% do tempo contra 49,1% do rival. Perdeu por dois a um levando o segundo gol em jogada que o Furacão não trocou mais de dez passes até chegar ao fundo das redes. Na rodada anterior, o Tricolor foi ainda menos eficiente: teve incríveis 68% de posse e foi esmagado pelo Palmeiras com apenas 32%: 4 a 0.

O Verdão é quem tem feito uma boa leitura de como como muitos dos jogos do Brasileiro funcionam. Marcelo Oliveira abertamente diz que prefere o contra-ataque do que ter a bola. Quarta-feira, pela segunda vez seguida em sua casa, deu a redonda para o rival, no caso a Chapecoense (46,1% x 53,9% de posse). Venceu por 2 a 0. Assim como o Vasco de Celso Roth. Contra o Flamengo no fim de semana teve míseros 1% de bola no pé contra 68% do Rubro-Negro. Venceu por 1 a 0. Ontem, em casa, contra o Avaí teve 48,8% contra 51,2% do rival catarinense. Nova vitória.

No momento, o time mais badalado do Brasileiro é o Sport Recife, com a campanha dos sonhos: 100% de vitórias em casa, 100% de empates fora, fazendo dois pontos por jogo, média que muito provavelmente lhe garantiria o título Brasileiro. Jogando em casa quarta-feira, entregou a bola ao Inter (41,5% x 58,5%) e liquidou o jogo com facilidade: 3 a 0. No fim de semana empatou contra a Chapecoense fora de casa utilizando a mesma receita: ficou com a bola 37% do tempo do jogo apenas.

Nos últimos anos, o torcedor brasileiro se encantou com um Barcelona que fazia da posse de bola sua grande arma, ofensiva, mas também defensiva. Guardiola repetiu à exaustão a máxima de que a melhor forma de se defender é não entregar a redonda ao rival. Assim, o clube catalão comandado por Pep se colocou como um dos esquadrões mais geniais da história do futebol.

A troca de passes curta, rápida e paciente do Barça encantou amantes do jogo por todo o mundo, hipnotizou e aniquilou rivais. Tudo isso fez com que alguns por aqui tentassem voltar ao jogo do passe, que foi a marca do futebol brasileiro no passado. Mas o caminho de recuperação parece que vai ser longo, pelos números apresentados até aqui.

Por enquanto, a troca incessante de passes tem sido muitas vezes inútil e tem causado apenas sono e prejuízo aos que a tem adotado.

No estágio triste que vive o futebol brasileiro, de indigência técnica e tática, ter a bola pode causar mais prejuízo do que lucro. Alguns times já estão percebendo que o mal é comum a todos e a disputa dentro de campo agora muitas vezes passa a ser ter menos a redonda em seus pés. Aquela história romântica da criança que dormia com a bola de tanto que a adorava não faz muito sentido no Campeonato Brasileiro.

Abaixo, os jogos da 10a rodada, os placares e a posse de bola. A fonte é o Footstats.

Grêmio 1 x 0 Cruzeiro (54,1% x 45,9%)

Atlético-PR 2 x 1 São Paulo (49,1% x 50,9%)

Joinville 0 x 1 Flamengo (60% x 40%)

Atlético-MG 2 x 0 Coritiba (64,9% x 35,1%)

Palmeiras 2 x 0 Chapecoense (46,1% x 53,9%)

Vasco 1 x 0 Avaí (48,8% x 51,2%)

Sport 3 x 0 Inter (41,5% x 58,5%)

Fluminense 2 x 1 Santos (47,9% x 52,1%)

Figueirense 3 x 1 Goiás (48,9% x 51,1%)

Corinthians 2 x 0 Ponte Preta (48% x 52%)



  • Alexandre Lemos

    Boa tarde!

    Penso que esses números mostrados,refletem de uma forma bem simples de como anda a qualidade técnica do futebol tupiniquim. Para se ter a bola em seu domínio,precisa de um mínimo de qualidade para mantê-la.Como fazer isso; domínio de bola,saber o que fazer com ela,trocar de passes rápidos e de primeira,inversão de jogo,movimentação constante dos outros atletas,entrosamento e um bom técnico para armar a estratégia de jogo. Quem tem isso? aqui no nosso certame,com certeza não existe. E isso, se reflete na Seleção canarinho.Como pode se avaliar,hoje,uma Filosofia e/ou planejamento de um técnico,se as peças para a execução do trabalho não lhe são favoráveis?

MaisRecentes

Só punição pode acabar com a cafajestagem



Continue Lendo

Ainda é cedo para tudo



Continue Lendo

Nove verdades (ou não) e uma mentira (ou não) do mundo do futebol



Continue Lendo