O dedo da discórdia



Um estádio de futebol é um palco dos mais machistas. Mais do que a superioridade física e técnica, jogadores e times têm sua masculinidade e virilidade colocada à prova a cada jogo. Provocações, muitas e muitas vezes são carregadas de algum conteúdo sexista.

A última moda nos gramados brasileiros, por exemplo, é o grito de “Bicha!” quando o goleiro adversário vai cobrar o tiro de meta. Diante deste cenário, não estranha o fato de ser raríssimo algum atleta assumir publicamente sua homossexualidade.

O que aconteceu no Estádio Nacional de Santiago do Chile quarta-feira é mais um capítulo desta prática. A provocação de Jara tirou Cavani do sério e do jogo. O uruguaio foi expulso em um momento em que o duelo pelas quartas-de-final da Copa América estava empatado em 0 a 0.

Após o cartão vermelho, o Chile passou a dominar mais e venceu a partida por 1 a 0. Do ponto de vista de busca do objetivo não há dúvida: a provocação funcionou perfeitamente.

Ex-atletas comentaram o assunto. Para Roger Flores, atual comentarista do “SporTV”, a “mão boba” é a pior agressão que se pode sofrer dentro de campo.

– Isso é pior que tomar um tapa, um soco, uma cuspida. Está mexendo (com seus rincípios).

A atuação de Jara, portanto, foi “perfeita”. Atingiu em cheio o principal jogador do Uruguai, a seleção nacional que historicamente mais se vangloria de sua valentia e macheza.

Roger emendou que reagir ou não a este tipo de provocação depende do “estado emocional da vítima”. Ele mesmo conta que já foi provocado e que muitas vezes reagiu com bom humor.

Se um caso assim for analisado com o mínimo de frieza, será impossível classificar um atleta como “menos homem” se ele não reagir de forma violenta a este tipo de provocação. No caso de Cavani, no fim das contas, ele ficou com todo o prejuízo: sua foto foi mostrada para o mundo todo, ele foi expulso e sua seleção está fora da Copa América.

Nada disso teria acontecido se não houvesse a necessidade de se mostrar macho a todo momento em um campo de futebol. Uma provocação como esta seria sempre respondida como Roger Flores diz que reagiu em algumas oportunidades. E ela passaria a deixar de ser uma arma tão letal para o agressor.

Não é uma questão de ser politicamente correto ou de querer transformar um campo de futebol em um teatro. Basta encarar as coisas como elas são: Cavani foi provocado de forma a ter sua masculinidade atingida, reagiu de forma intempestiva e só ele teve prejuízo.

Vale lembrar que no ano passado, na Copa do Mundo, Suarez foi banido da competição e do país (!!!) após desferir uma mordida em Chiellini no confronto Uruguai x Itália. Foi um caso de agressão.

Agora, a cartolagem poderá punir Jara por atitude antidesportiva. Mas poderá punir por agressão? De qualquer forma, se o chileno for punido não terá sido por outro motivo a não ser pelo fato de ele ter machucado a honra de Cavani. Em um ambiente em que ser macho é fundamental.



  • Alessandro Macedo

    Alessandro Macedo
    (moderation preview) 1 hr, 31 mins ago
    Sem querer ofender , mas discordo completamente do seu texto. Vamos imaginar o seguinte: um jogo de futebol feminino , um técnico ( homem) de uma das equipes resolve passar a mão em uma das jogadoras do time adversário ( numa cobrança de lateral por exemplo ) qual seria sua opinião ? Qual seria seu texto ? Seria de revolta( o que seria natural ) Não e questão de machismo ( parece que hoje em dia palavras estão tendo outros significados ,fruto de uma era vitimista )E , sim , tocar numa parte intima e uma violência ,seja em um homem,mulher,criança ,velho.E não teve ser considerado de menor grau. Tem que haver respeito entre todos , e pra mim a punição do jogador chileno tem que ser maior que a do Cavani. Também não aceitaria uma brincadeira estúpida dessa ,porque sou homem? SIM , não por ser machista,até porque não sou . Gosto de alguns textos seus e na tv acho que vc e coerente em muitas análises (lembro de uma respeito do Fla e da sua diretoria, muito inteligente) mas nessa vc errou . Minha opinião . Abraços

  • Renata

    Só pra ressaltar uma coisa, o tal grito de “bicha” não é invenção brasileira e nem no sentido que você deixou a entender. Toda a America Latina chama quando o goleiro chuta a bola longe de Puto, no mesmo sentido do Bicha aqui, porque eles não toleram esse tipo de jogada. Isso em específico não tem haver com aceitar ser gay no futebol. E, na minha opinião, foi agressão sim! O objetivo dele foi tirar o jogador do sério, e não foi só com palavras, teve contato físico e também agressão a tal “macheza” que você disse. A questão é, o que você faria se levasse uma dedada dessas? E estou falando de algo que você não espera. Que tal acontecer isso contigo no metrô ou no trabalho, você acharia isso normal? Além disso, não é a primeira vez que ele faz isso.

  • Alessandro Macedo

    Sem querer ofender , mas discordo completamente do seu texto. Vamos imaginar o seguinte: um jogo de futebol feminino , um técnico ( homem) de uma das equipes resolve passar a mão em uma das jogadoras do time adversário ( numa cobrança de lateral por exemplo ) qual seria sua opinião ? Qual seria seu texto ? Seria de revolta( o que seria natural ) Não e questão de machismo ( parece que hoje em dia palavras estão tendo outros significados ,fruto de uma era vitimista )E , sim , tocar numa parte intima ,sem consentimento e uma violência ,seja em um homem,mulher,criança ,velho.E não teve ser considerado de menor grau. Tem que haver respeito entre todos , e pra mim a punição do jogador chileno tem que ser maior que a do Cavani. Também não aceitaria uma brincadeira estúpida dessa ,porque sou homem? SIM , não por ser machista,até porque não sou . Gosto de alguns textos seus e na tv acho que vc e coerente em muitas análises (lembro de uma respeito do Fla e da sua diretoria, muito inteligente) mas nessa vc errou . Minha opinião . Abraços

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