A Seleção que não dá nem sente prazer



Qual foi a última vez que a Seleção Brasileira jogou realmente bem? A pergunta é só para jogos que valem, não em amistosos nem mesmo amistosos contra grandes times do mundo. Puxando aqui pela memória me vem a final da Copa das Confederações contra a Espanha em 2013, uma boa exibição.

Depois disso, seja com Felipão, seja com Dunga, não houve prazer em ver o time da mítica camisa amarela em campo. Ontem contra a Venezuela, em jogo valendo a classificação para a próxima fase da Copa América, foi outra vez uma jornada mais sofrida ou tediosa do que exatamente prazerosa.

O tempo não passava, o jogo não fluía, mesmo contra um adversário que até outro dia era o maior saco de pancadas do continente. (é verdade que evoluiu nos últimos tempos).

Nem mesmo a vitória de ontem conseguiu apagar a má impressão de falta de prazer. Há tempos a Seleção Brasileira parece ser tediosa ou irritadiça para quem joga e apenas tediosa para quem assiste. Ontem, após fazer seu gol (uma belo chute fuzilando o goleiro), Thiago Silva saiu correndo xingando. Quase mais raiva do que alegria. Ato que pode ser reflexo do seu comandante. Historicamente, Dunga sempre tratou a vitória mais como uma forma de esmagar críticos do que como uma conquista. Mesmo quando foi peça fundamental e quando jogou muito, na Copa de 94, ano do tetra.

A cicatriz deixada pelos 7 a 1 é eterna. A derrota de outro dia para a Colômbia é como olhar no espelho e ver que ela continua ali, quando se chegou a imaginar que ela tinha sumido. Da mesma forma, a vitória e classificação contra a Venezuela não podem apagar o que aconteceu. O processo é longo e não é possível dizer que o caminho trilhado até aqui vai resultar em ressurreição.

A reconstrução da Seleção deveria passar pela volta do prazer. Um time que jogasse mais com alegria do que com raiva, que entendesse a vitória e o sucesso mais como resultado do trabalho do que do sofrimento. Passamos a Copa do Mundo achando que só a dor leva à vitória. Deu no que deu. A impressão é que está se repetindo a fórmula. Como se a vitória sem Neymar fosse uma provação que o time precisasse passar.



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