Itália seguindo os passos do Brasil



Cláudio Fernando Mendes Cardoso de Morais, de 25 anos, foi a vítima da vez. Espancado por santistas em uma estação de metrô domingo, o torcedor palmeirense está internado em estado gravíssimo no hospital Santa Marcelina, no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo.

Se não conseguir escapar desta, Cláudio deixará de ser um nome para se transformar em um número e engordar as estatísticas sobre violência relacionada ao futebol no Brasil.

Longe daqui, em outro país e outro continente, a violência tem chamado a atenção. Na Itália, são 1727 torcedores proibidos de entrar em estádios e 267 feridos nesta temporada. A última ocorrência aconteceu no fim de semana, no clássico de Turim entre Torino e Juventus. Dez torcedores da Juve foram feridos por uma bomba atirada em direção à torcida. Por sorte, nenhum foi ferido gravemente.

Lá como aqui, a brutalidade chegou também aos atletas. No dia 17 de abril torcedores do Cagliari invadiram o centro de treinamento do clube, que está na zona de rebaixamento, para atacar os jogadores.

A escalada de violência por lá tem sido retratada de forma parecida com o que se passa por aqui. Algumas torcidas organizadas têm sido suspensas dos estádios sem grandes resultados.

A discussão por lá é a de que só punições individuais poderão estancar o derramamento de sangue.

O futebol italiano já foi o mais poderoso da Europa, isso nos anos 80. Quando outros países passaram a combater a violência com rigor e eficiência, a Itália foi ficando para trás. Nos anos 80 era inimaginável que um craque estelar preferisse a Inglaterra à Itália. Hoje ocorre exatamente o contrário.

A Premier League desinfetou seus estádios, de maneira controversa até, impossibilitando o acesso dos mais pobres. Mas o fato é que o crescimento da liga inglesa tem como um dos componentes a diminuição da violência.

A brutalidade tem golpeado o futebol italiano como negócio. Não muito diferente do que tem acontecido aqui há anos. O fato de o espancamento de Claudio Fernandes ter chocado pouco, explica o estágio que alcançamos.



  • augusto

    vc é parente do arnaldo tirone? parece pra caramba.

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