Fair play financeiro: confusão à vista



A CBF divulgou na terça-feira (10/3) detalhes sobre como funcionará o fair play financeiro que ela pretende adotar nos Campeonato Brasileiro das séries A, B e C deste ano. E, antes mesmo de a bola começar a rolar, já dá para imaginar confusão à vista.

Basicamente funcionará assim: o jogador que tiver salários atrasados pode fazer uma denúncia, que será julgada pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). Uma vez julgado o caso e o clube sendo culpado, perderá três pontos na tabela. Os problemas começam quando se lê um detalhe da regra: clubes podem ser punidos mesmo depois de o campeonato finalizado. Não é difícil imaginar a seguinte situação: um clube escapa do rebaixamento por um ponto, mas tem salários atrasados. Algum atleta não poderia ser “convencido” a denunciar o time por algum outro clube interessado no caso?

Antes de uma regra ou lei ser criada, é fundamental que se avalie se ela cumprirá seu objetivo e se não há forma de que ela seja burlada. Por fim, uma lei não pode servir como arma para se tirar vantagem. Não parece que neste caso isso foi levado em conta.

Em 2013 o Campeonato Brasileiro terminou com uma pontuação que foi alterada fora de campo, no STJD. Na ocasião, o Fluminense, então rebaixado escapou, e a Portuguesa, então na Série A, caiu. Independentemente de quem estava com a razão naquela ocasião, é fato que o campeonato ficou manchado. Dúvidas permanecem até hoje.

Nas principais ligas do mundo, punições desta natureza (com perda de pontos) são debitadas do culpado no ano seguinte. Assim, preserva-se o que aconteceu em campo e impede que alguém se beneficie de forma imoral.

A regra do fair play já provocava debate por valer apenas para atrasos nos valores registrados na carteira de trabalho, quando a maior parte dos vencimentos dos atletas vem de outros lugares como direitos de imagem, por exemplo. Este novo detalhe, de tirar pontos mesmo com o campeonato finalizado, deixa a coisa mais polêmica ainda.



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