O elo entre o bom futebol e o Brasil está se rompendo



“O futebol europeu é mais de toque de bola. O futebol brasileiro é mais lançamento e correria.” Esta rase foi dita por Gêuvânio. promissor atacante do Santos Para os mais velhos, pode soar absurda. Mas não é para um jovem que nasceu em 1992, tinha dois anos quando o Brasil foi tetracampeão e dez anos quando o Brasil foi pentacampeão. Ele certamente só tem memória para o título de 2002 no Japão/Coreia. A última vez que a Seleção mostrou um futebol de toque de bola foi em 1982, dez anos antes do nascimento do garoto.

Duas coisas chamam a atenção na expressão de Geuvânio. A primeira, arrebatadora, é a de que ele tem toda razão. A segunda, triste, é constatar que as novas gerações estão rompendo qualquer elo com o tipo de jogo que fez do Brasil o país do futebol.

O garoto que nasceu em Ilha da Flores, Sergipe, só não pode ser crucificado pela sua declaração. Este é simplesmente o mundo que ele vive. Pergunte a um jovem sobre o mundo sem internet ou o que é um carburador de carro e ele não vai saber responder. Pergunte a um garoto o que foi o futebol brasileiro do toque de bola e a resposta só virá em um vídeo do Youtube.

Ao longo dos últimos anos houve uma colaboração decisiva para apagar os traços de futebol bonito que o Brasil apresentou. Ela veio ao se atrelar este tipo de jogo à derrota e o futebol pragmático à vitória, talvez a mais nociva contribuição que tivemos.

Depois do sucesso estrondoso do seu Barcelona, Guardiola revelou que foi beber na fonte da Seleção Brasileira de 82. Para quem não sabe o que foi o time de Telê Santana, o toque de bola é obra dos catalães. Recentemente, Menotti declarou que várias seleções evoluíram, menos uma: a do Brasil. Menotti, um entusiasta do futebol ofensivo, foi técnico da seleção argentina campeã de 1978. Não se trata do cantor sertanejo, homônimo.

A frase sincera do bom Geuvânio é o resumo perfeito do que é o futebol brasileiro atualmente. Caminhamos para que o nosso jogo como um dia existiu seja apenas um quadro desbotado na parede.



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