Palmeiras: agonia, alívio e desabafo de mãe



A mãe passa a noite em claro, desesperada com o sumiço do filho, que saiu para a balada e não deu mais sinal de vida até meio-dia do dia seguinte. Até que ele chega em casa, amarrotado, de ressaca. A mãe corre, abraça o rapaz, chora e fica aliviada: ele está vivo!

Quando tudo volta ao normal e a cabeça esfria, a mãe cai na real: como ele fez uma coisa dessas e me deixou aqui, desse jeito? Vem a bronca e o possível castigo ao rapaz.

Assim foi a torcida do Palmeiras ontem no Allianz Parque, no último capítulo do time no Brasileirão 2014. Enquanto a bola rolou o torcedor esteve junto, apoiou e evitou pressionar mais ainda um elenco incompetente e com os nervos à flor da pele. Como a mãe que reza e entrega tudo para Deus a partir do momento em que o filho bate a porta de casa e sai.

A angústia permanece até que ele volte. O torcedor do Verdão só conseguiu soltar tudo o que estava dentro do seu peito quando enfim o Santos fez o gol que decretou a pá de cal sobre o Vitória. E, aliviado, gritou “Vergonha, time sem vergonha!”.

Surpreendentemente, o principal jogador do Palmeiras concordou com a torcida. Em seu último ato em 2014, Valdívia foi um leão, mesmo jogando com condições físicas precárias. Ao fim do jogo, chorou e deu esta declaração sobre a salvação: “Nosso ano foi uma vergonha. Um time f… como o Palmeiras não pode passar por isso.”

Ao olhar a temporada toda do chileno, não vai ser fácil absolvê-lo do fiasco palmeirense. Mas ao menos ontem ele jogou além do seu limite e foi absolutamente sincero. Bem mais comum nestes casos é ver um jogador dizendo que foi uma resposta aos críticos, etc. Valdivia teve a grandeza de reconhecer que ele e o time não foram nada disso em 2014.

A torcida sempre soube e o principal jogador do time reconheceu ao fim da temporada. Falta a diretoria. Ela tem de admitir que fez quase tudo errado em 2014 e mudar o rumo. Ou se colocará no papel da mãe que vê o filho seguir por caminhos errados e se pergunta: “Onde foi que eu errei?”



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