Cadeiras no estádio não são armas. Ou não deveriam ser



Torcidas organizadas fizeram um pedido (ou exigência) para a diretoria do Corinthians e as cadeiras do setor norte foram retiradas do estádio de Itaquera para o clássico contra o São Paulo. A justificativa foi a de que os “organizados” gostam de torcer em pé. Foram retiradas também as cadeiras do espaço destinado à torcida rival. A polícia justificou a medida alegando que cadeiras quebradas poderiam se transformar em armas nas mãos de vândalos.

Com relação às cadeiras do visitante, trata-se da derrota da civilização e do poder público. Um objeto que deveria dar conforto a quem vai ao estádio é na verdade uma arma letal, que não pode estar acessível ao assassino em potencial. Reforça ainda a tese de que a Copa foi um mundo de fantasia que não pode em hipótese alguma ser replicado na vida real.

No Mundial, o sujeito que foi ao jogo se comportou e sentou na sua cadeira (com lugar marcado). No Brasileirão, há outro tipo de ser humano: que não aceita regras, incontrolável e que precisa ser confinado em um espaço especial para evitar que faça barbaridades. E não há quem impeça que estes seres humanos quebrem cadeiras e transformem os pedaços em armas, tal qual um preso que fabrica facas dentro da cela.

Com relação às cadeiras retiradas do espaço destinado à torcida mandante: as torcidas organizadas causam transtornos para todos os clubes. Quanto ao Corinthians, foram elas que assassinaram o garoto Kevin na Bolívia e causaram prejuízos financeiros e esportivos ao clube. São elas que frequentemente levam o STJD a julgar o clube, como pode acontecer novamente pelo fato de que seus membros brigaram na arquibancada durante o Corinthians x São Paulo. Os “organizados” pediram (exigiram) que as cadeiras fossem retiradase o que fizeram com o espaço livre? Entraram em confronto com outros torcedores.

Justificou-se a retirada as cadeiras com o argumento de que em vários estádios do mundo é assim. Verdade. A ironia triste é maginar que apenas retirando as cadeiras, selvagens virariam cidadãos de bem.

A Copa do Mundo acabou á pouco mais e dois meses. Mas a distância para o que foi visto lá ainda é enorme.



MaisRecentes

O drone e o jornalismo *



Continue Lendo

A torcida que salvou um time salvará de novo em 2018?



Continue Lendo

A lição de Carille e o que vem por aí



Continue Lendo