Os medalhões estão mais vivos do que nunca



Durou menos de um ano um movimento que poderia mudar a relação entre clubes e técnicos de futebol. A conclusão lá atrás foi a de que treinadores consagrados ganhavam muito dinheiro, nem sempre entregavam o que se desejava e ainda deixavam uma enorme conta para pagar depois. E novos nomes começaram a aparecer, com salários mais baixos e expectativas altas.

Ney Franco foi para o São Paulo, Jayme de Almeida ganhou espaço no Flamengo, Enderson Moreira foi contratado pelo Grêmio, Gilson Kleina disputou toda a Série B pelo Palmeiras. Em contrapartida, nomes de enorme peso começaram o ano sem emprego, casos de Luxemburgo e Dorival Júnior.

Mas o sonho de se ter novos nomes no mercado está evaporando. Luxa está de volta, Ney Franco, Enderson Moreira, Gilson Keina e Jayme de Almeida estão desempregados.

Afinal, o que aconteceu? Houve um erro de avaliação coletiva sobre a capacidade dos novos professores ou eles não têm tamanho suficiente para servirem de escudo para cartolas? Fico com a segunda opção.

Não se discute que a passagem de Ney Franco tenha sido ruim no comando do Flamengo. Três empates, quatro derrotas, aproveitamento de apenas 14% e time na zona do rebaixamento. Mas e Enderson Moreira no Grêmio? Com 17 vitórias, 11 empates e seis derrotas, tinha 60,7% de aproveitamento quando caiu, número maior do que o de Luxemburgo na sua passagem anterior pelo Fla: 58%.

O discurso de cartolas durou só até a página dois. E essa insegurança em bancar nomes novos ajuda a impedir que treinadores promissores mudem de patamar na carreira. Consequentemente, os mesmos nomes seguem dando as cartas e cobrando a conta alta de sempre.

Dirigentes adoram levantar a bandeira da responsabilidade financeira. Mas na primeira estremecida voltam a utilizar os mesmos nomes de sempre como escudo.

Felipão voltou para o Grêmio. Os 7 a 1, seguido pelos 3 a 0 e a humilhação da Seleção dentro do nosso quintal parecem ter desaparecido rapidamente na memória de dirigentes. Ou o escudo está impedindo a visão.



MaisRecentes

Segue o líder



Continue Lendo

O intervalo que mudou tudo



Continue Lendo

O doping da confiança



Continue Lendo