Enterrem as mentiras!



O dia 8 de julho de 2014 está marcado como uma das páginas mais surpreendentes do futebol mundial. E ainda não dá para quantificar o quanto é trágica para o futebol brasileiro.

Mas se é possível encontrar algo positivo no massacre do Mineirão está no fato de que temos a chance de enterrar um dos maiores males que brotou em nossos campos em tempos recentes: a ideia de que o melhor e muitas vezes único caminho para o triunfo passa obrigatoriamente pela superação e sofrimento.

A indigência tática da Seleção não surgiu contra a Alemanha. Ontem no Mineirão ela só ficou escancarada quando o Brasil enfrentou um time organizado. Mas ela já tinha dado pistas em todos os jogos desta Copa do Mundo. Desde a estreia contra a Croácia, batida com a ajuda de um pênalti inexistente, até o encontro contra a Colômbia, em que o time funcionou por apenas 45 minutos.

E a cada resultado magro e sofrido o discurso principalmente de dentro da Seleção foi o de que não existe triunfo sem sofrimento. Antes de o jogo contra a Colômbia, a conversa era o de vencer por meio a zero e ser campeão assim. A infeliz contusão de Neymar se transformou em uma arma, por mais incrível que isso possa parecer agora. Era a “superação”, o ingrediente que faltava para esta “receita de sucesso” que o futebol brasileiro passou a acreditar.

Como num passe de mágica, estávamos preparados para vencer qualquer um, afinal já tínhamos a “superação” e o sofrimento”.

A derrota de ontem no Mineirão não foi um acidente. Pode-se discutir o placar, mas nunca o massacre tático que o Brasil de Felipão foi vítima. E os dois ingredientes que se acreditou que pudessem ser suficientes para se vencer estavam presentes.

Do outro lado, estava a Alemanha, talvez o time que mais se divertiu no Brasil até aqui. Não há traço de sofrimento, não há rosto de jogador alemão demonstrando superação. Só futebol, jogado com mais prazer e menos dor.

Que a tragédia brasileira de ontem enterrem de vez algumas mentiras que passamos a acreditar.



  • Marcos Pimenta

    Se na Copa de 2010 a Espanha era o exemplo e na Copa de 2014 a Alemanha é o exemplo a ser seguido, temos uma grande semelhança entre as 2 equipas “posse de bola”, que era anos atrás uma qualidade do futebol brasileiro. Se a Alemanha é o exemplo e a reformulação do futebol Alemão começou com o técnico Jürgen Klinsmann, devemos então tentar contrata-lo como técnico e o Leonardo pode ser uma boa opção como diretor de seleção.

  • Derrotas fazem parte do esporte; goleadas, também. Não foi só mais um jogo de futebol, mas a derrota de uma cultura que o futebol brasileiro assimilou. A organização derrotou o improviso. A meritocracia derrotou o compadrio. O profissionalismo derrotou o amadorismo. A disciplina derrotou a malandragem. O conhecimento derrotou o jeitinho. A competência derrotou a sorte. O espírito de equipe derrotou o fundamentalismo do talento individual.

    Essa cultura não está só no futebol brasileiro, que aliás já foi referência internacional. Ela está presente no dia a dia dos brasileiros, muitos dos quais falam nas redes sociais que a copa foi “comprada” ou “vendida”, mas não se arrependem de comprar uma carteira de motorista e cometer atrocidades no trânsito. É graças a essa cultura que, apesar de o fim do mundo anunciado pela turma do #nãovaitercopa não ter acontecido, o Brasil herdará dessa copa elefantes brancos, obras superfaturadas, obras inacabadas, obras mal feitas e um rombo de bilhões de reais que fatalmente terá que ser coberto pelo contribuinte.

  • Emanuel

    Excelente texto! Não podemos concordar com uma seleção jogando mal e ganhando de qualquer jeito. Seleção tem a obrigação de pelo menos tentar jogar bem. Temos também que parar de ser prepotentes e arrogantes. Somos o país do futebol, mas no momento não temos os melhores jogadores. Felipão, tite, Abelão, Muricy ball são todos farinhas do mesmo saco. ULTRAPASSADOS! Mas volto a falar, a nossa geração do meio para frente é fraca tb.
    Como colega do PVC pede a ele para acabar com essas decorebas inúteis( O Brasil vai ganhar pq toda vez que joga às 17 hs de terça feira sempre ganhou kkkkkk. São coisas desse nível.) e faça comentários inteligentes, analise os jogos e pare de bajulação.

    Mande um abraço para o Mauro Cezar, jornalista independente e sério.

  • Américo

    Concordo com você, o resultado é mais um componente, mas o que ficou mais claro, foi o banho tático , técnico e físico que o Brasil levou. E mais, a Alemanha jogou por 3 vezes as 13:00 e o Brasil apenas uma, e num torneio de tiro curto isso faz muita diferença.
    O pior disso tudo, é que quem está por lá comandando o futebol, não passa a menor confiança que irá realmente fazer as mudanças que o futebol brasileiro precisa. Tite, Muricy, Luxemburgo??? Isso é piada.

  • Daniel

    Mas como brasileiro ainda assim não consigo ter pena nenhuma.

    Vesperas de uma Semifinal dificílima e qual assunto foi falado incansavelmente? Com apresentador indo a publico chamar o Colombiano de babaca, mascaras sendo produzidas, presidente imitando gestos, artistas mandando recados sem parar, camisa junto no hino, comoção nacional, etc.

    Que assunto é esse? Neymar. Teatro nojento em cima da lesão. Não foi a falta dele que fez o Brasil perder, mas o asssunto Neymar tirou o foco do time e da própria nação, nem parecia que ia ter uma Semifinal pela frente, não se falava de jogo, esquema, adversário, nada.

    Neymar Neymar Neymar. Parecia que tinha morrido o Senna. Isso que o mesmo estava sumido do mata-mata, nem estava decidindo. Alguém tem duvida que isso contribuiu?

    MÍDIA

    A culpa da mídia pela decepção do povo foi não alertar a massa de alienados leigos (99%) que o time não era tudo que pintavam, tinha enfrentado adversários médios e ainda sem convencer, não jogou eliminatórias, venceu a copa das confederações com cara de torneio de verão e que nunca deu copa pra alguém no ano seguinte, que faltava testar contra uma grande seleção, etc.

    Não aprenderam com as vitórias fracas de 2006 e 2010. Não. Neymar pra ca, hexa pra lá, a taça vem de qualquer jeito nem que seja com David Luiz encarnando o novo Zico e a zaga fazendo gols decisivos todo jogo (aqueles que o meio/ataque não é capaz).

    Coitado do povo, se preparou, se pintou e tomou o maior pau que uma seleçao ja recebeu na historia.

  • Joao

    Óatimo texto. O futebol resultado pariu o futebol sofrimento. Essa derrota vai esclarecer alguns colegas de trabalho super competentes mas que já estavam quase comprando essa idéia de sofrimento, deu uma sacudida no eficiente PVC. A falta de oportunidade, digo, que não foi dada ao Paulo H Ganso faz parte do enredo. Prennez note . grande abraço J

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