O inexplicável Uruguai



Quem entra no Estádio Centenário em Montevidéu se surpreende. O maior palco do futebol do Uruguai não tem cadeiras marcadas em toda a arquibancada. Não tem cobertura em todos os assentos nem piso de mármore. Tampouco é limpo e conservado. E tem vazamentos. Por fim é mais baixo do que parece quando se vê pela televisão. Fisicamente falando, o que ele tem de mais imponente é uma torre comprida que fica na direção do meio de campo. Isso quer dizer que que entra no Centenário fica decepcionado? Não. Porque ali se respira a história. Tão rica e densa que transforma aquele local em um templo sagrado.

O Centenário é um retrato fiel do que é o futebol uruguaio. Rico não pelo que tem, mas pelo que é. A geração fortísssima que a Alemanha trouxe ao Brasil foi forjada depois de um estudo aprofundado em todas as divisões do futebol que começou há dez anos? Esqueça isso no Uruguai. Lá, o futebol apenas acontece. A força do futebol celeste vem da sua história.

O Uruguai é um país com 3,3 milhões de habitantes. Tudo o que vem depois disso dentro de campo é improvável. Porém, sabe lá como, esta aldeia gaulesa do futebol consegue se meter entre gigantes e algumas vezes complicar suas vidas, sempre em batalhas épicas. Para eles, perder para a Costa Rica é tão possível quanto eliminar a Itália. Loco Abreu explica:

“O Uruguai gosta de jogo grande. Aquele em que ele pode olhar de frente para o adversário e não para baixo. O Uruguai não gosta do rival que não tem nada a perder.”

Ontem,eles aprontaram mais uma ao se classificarem no chamado Grupo da Morte da Copa do Mundo. Itália, Inglaterra e seus cinco títulos mundiais voltaram para casa. Os dois títulos do Uruguai e um certo fantasma seguem por aqui. As camisas azuis voltarão ao Maracanã em um mundial no Brasil 64 anos depois, nas oitavas-de-final.

Sabe-se lá até onde vai o Uruguai nesta copa. Pode ser eliminado na próxima fase perdendo para um rival com menos história. A única certeza possível é que cada jogador vai deixar a alma no gramado do Maracanã.



  • Fabrício Carvalho

    Tironi, gosto muito dos seus textos e o atual também ficou muito bom, exaltando a raça Uruguaia.

    Porém cabe uma ressalva no texto,quando você escreve “A geração fortíssima que a Alemanha trouxe ao Brasil foi forjada depois de um estudo aprofundado em todas as divisões do futebol que começou há dez anos? Esqueça isso no Uruguai”…

    Então…é exatamente o trabalho de base que fez o Uruguai voltar a ser o que é hoje! Oscar Tabarez, e outros líderes do futebol uruguaio estão fazendo um trabalho a ser copiado no futebol de base do país…prova disso são as últimas participações em torneios de base e a última Copa do Mundo, em que foi o país sulamericano melhor classificado.

    O que o dirigente brasileiro tem de entender é que futebol é base. No profissional só se colhem os frutos, e dilapida os diamantes

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