O lado bom do caso Heverton



Ninguém duvida de que há um prejuízo enorme no fato de o Campeonato Brasileiro não ter acabado até hoje, passados 49 dias de sua última rodada em campo. Nem de que a incerteza sobre como será o torneio em 2014 só diminui a credibilidade e atratividade do torneio.

Diante de tanta indefinição, é tentador acreditar que tudo ficaria mais fácil se não houvesse nenhum questionamento sobre a decisão do STJD, que tirou quatro pontos de Lusa e Flamengo. Fla e Flu permaneceriam na primeira divisão, a Lusa pagaria pelo seu deslize um preço caríssimo (o rebaixamento), mas afinal, Lei é Lei. Vida que segue, vamos em frente.

Se isso tivesse acontecido, o futebol brasileiro teria jogado para baixo do tapete questões muito importantes que, provavelmente, nunca teriam vindo a público.

Primeiro, a discussão pertinente sobre a decisão do STJD, baseado em um regulamento que contraria outras Leis federais. Não se discute aqui quem tem razão, mas não se pode discordar que o debate é válido. Não à toa liminares pipocam pelo Brasil, ora defendendo um lado, ora outro. Se o assunto tivesse entendimento comum, isso não aconteceria.

Segundo, não seria descoberta a tentativa de acordo entre CBF e Lusa, envolvendo R$ 4 milhões, para que o clube disputasse a Série B. Em qualquer lugar mais rigoroso, isso seria caracterizado como escândalo.

Terceiro, o Ministério Público não teria entrado na história. Sem ele e suas ferramentas legais de investigação, seria muito mais difícil de se chegar à conclusão que ele chegou até agora, a de que a Lusa sabia que não poderia escalar Heverton.

Foi a grita de parte da sociedade não aceitando o que o STJD determinou que possibilitou que tudo isso acontecesse.
Adiante, há duas possibilidades: em um extremo, chegaremos a um escândalo que poderá ser classificado como um dos mais graves do futebol brasileiro. No outro, chegaremos à conclusão de que tudo não passou de uma trapalhada administrativa. Nos dois casos, a transparência sairá fortalecida.



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