A dor de cair e a delícia de voltar



Em 2007 o Corinthians caiu, passou 2008 na Série B e subiu. Poucos jogos antes de confirmar atematicamente a volta, entrou em pauta a discussão: vale comemorar título da Segunda Divisão? Roque Citadini, conselheiro e ex-dirigente do clube, foi perguntado sobre o que a volta significava. A resposta foi: “Comemorar volta à Série A é o mesmo que fazer churrasco para a chegada daquele sobrinho que acabou de sair da cadeia.” Ou seja: havia uma alegria, mas também um certo constrangimento pelo motivo pouco nobre da festa.

Em 2012 o Palmeiras caiu pela segunda vez em sua história. Passou 2013 na Série B e na partida que poderia decretar matematicamente sua volta, parte da torcida comemorou discretamente na arquibancada. Outra
gritou “time sem vergonha.” Como se fosse nada mais do que a obrigação o título da segundona.

O Vasco caiu em 2008. Alguém criou a linda frase “o sentimento não pode parar” e foi ela que embalou o time no difícil ano de 2009 na Série B. O Vasco voltou, mas não fez muita festa.

Para um gigante do futebol brasileiro, jogar a Série B sempre foi considerada tamanha vergonha que a comemoração pela volta era disfarçada. Assim foi com Palmeiras, Grêmio, Atlético Mineiro, Botafogo, Corinthians e Vasco. Um ano na segunda divisão era como ajoelhar no milho. Sair dali era apenas alívio, sem nenhum prazer.

Esses times sentiram na pele a dor de viver a Série B. Mas não se permitiram a delícia de comemorar a conquista realizada dentro de campo. Em vez de estufar o peito e falar “fui ao inferno, mas saí de
lá pelas minhas próprias forças e estou de volta”, cada um desses times preferiu falar baixinho e quase pedir licença para entrar de volta no grupo dos mais fortes.

Depois da última segunda-feira, todos os times que passaram por lá e voltaram na bola estão hoje com aquele sorriso no rosto orgulhoso de quem deu a volta por cima.



MaisRecentes

Bem-vindo à Seleção, Tite!



Continue Lendo

Evolução



Continue Lendo

Vai começar uma nova Copa



Continue Lendo