Um mal para o futebol



Ao ver o time em péssima fase e correndo sério risco de rebaixamento, a diretoria do São Paulo tomou atitude surpreendente no meio do Brasileirão: uma diminuição radical no valor dos ingressos. Sócio-torcedor, por exemplo, poderia pagar, pasme, R$ 2 para ver o time no Morumbi.

O estádio, normalmente vazio, passou a encher. Hoje o time está livre da ameaça de Série B. A chegada de Muricy e a fase iluminada de Aloísio Boi Bandido foram importantes. A força da torcida certamente contribuiu.

Ontem, em fórum sobre os negócios do esporte, o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez classificou a medida do São Paulo como um “mal para o futebol”.

Curioso: o clube que até outro dia era modelo de gestão toma uma atitude popular e desesperada. E é criticado pelo presidente do clube que tem orgulho der abrigar em suas fileiras os torcedores do povão.

Coisas do futebol dito moderno. Entre uma posição e outra está a pressa que dirigentes brasileiros em alcançar determinado patamar sem ter ainda alicerces para isso.

Cobrar mais por um espetáculo de futebol, como deseja Andrés Sanchez, é racional e legítimo. Arrecadar com bilheteria é um dos pilares do sucesso dos clubes mais ricos do mundo. Mas isso demanda algumas condições: a principal delsas, a de que o espetáculo precisa ter valor para quem consome.

Hoje no Brasil, tenta-se impor um valor que ele ainda não tem. O São Paulo precisou ver seu time se enfiar em um buraco para perceber que aquilo que ele cobrava era muito para o que o time oferecia.

Os estádios vazios do Brasil tem relação direta com isso. Cobrar pouco por um ingresso não é um mal em si para o futebol. O mal é acreditar que o espetáculo vale mais do que ele pesa.



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