Atletas não são soldados a serviço da Pátria



A gritaria foi grande nos últimos dias em dois casos que envolvem amor ao país. Nenê foi vaiado pela torcida no jogo exibição da NBA no Rio de Janeiro, por seus recorrentes pedidos de dispensa da seleção; Diego Costa vem sendo disputado por Brasil e Espanha para a Copa de 2014. E, se fechar com a Espanha, já está devidamente rotulado como traidor da Pátria.

Quem critica Nenê e Diego Costa não leva em conta a indigência do basquete nacional nem a carreira do brasileiro naturalizado espanhol, que nasceu em Lagarto (Sergipe), mas se mandou cedo para fora do país.  Os dois fizeram escolhas absolutamente legítimas. Quem não fez sua parte foi a oganização do basquete e do futebol brasileiro, que não seduziram seus filhos a ficarem por aqui. 

Este é um ponto. O outro é o conceito de patriotismo, que me parece cada vez mais fora de moda na sociedade e no esporte, sobretudo em esportes altamente profissionais como basquete e futebol. 

Excelente artigo de Simon Kuper no número cinco da revista inglesa “Blizzard” trata sobre o tema. Entre outras coisas, ele cita ter ido ao jogo Brasil x Croácia na Copa de 2006 e ter visto uma multidão de torcedores com a camisa amarela da Seleção, poucos brasileiros de verdade. O mesmo em jogos da Argentina e outras seleções. Este conceito de que o país está representado visceralmente em uma time nacional de qualquer esporte vem se diluindo no mundo. Hoje, torcer por uma seleção é muito mais uma festa e menos uma batalha de forças entre nações, como foi na sequência do pós-guerra, sustenta Kuper. Pensando assim não encararemos mais Nenê e Diego Costa como soldados a serviço da Patría. O que faz todo o sentido.



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