O cartão amarelo maroto de Valdivia



O que será contado abaixo poderia acontecer com qualquer clube no Brasil, em qualquer divisão. Por acaso, no sábado foi a vez de acontecer com o Palmeiras, no Brasil, na Série B do Campeonato Brasileiro. Aos 31 minutos do segundo tempo, Valdivia foi substituído. Mas não bastava o bom jogo que ele tinha feito até então para ajudar o clube. Ele precisa ainda executar mais uma tarefa, não exatamente esportiva, mas de esperteza: o meia chileno precisava levar um cartão amarelo. Parece estranho, mas é isso mesmo. Ele precisava levar o cartão, para ser suspenso e desfalcar o time na próxima rodada. Isso porque ele não poderá jogar pelo clube na próxima partida porque defenderá a Seleção do seu país em um amistoso contra o Iraque em Copenhaguem, Dinamarca, dia 14 de agosto. O raciocínio é simples: como ele já iria desfalcar o Palmeiras, o melhor é ser suspenso para “limpar”seus cartões.

A cena foi assim: substituído, Valdivia demorou para sair de campo até que o árbitro Antônio de Carvalho Schneider aplicou o cartão. A torcida aplaudiu como se fosse uma grande jogada de habilidade. Gilson Kleina sorriu no banco, satisfeito.

No fim do jogo, Valdivia deu entrevista explicando como foi que levou o cartão. “Se eu demorar para sair você vai me dar cartão?”, perguntou ao árbitro, que respondeu: “Vou”. Estava feito o arranjo.

Não há outra forma de interpretar o que aconteceu: transformou-se uma punição em um benefício. O óbvio neste e em qualquer outro caso semelhante seria aplicar a suspensão apenas em uma partida em que o jogador pudesse de fato atuar.

O futebol é um esporte feito de pequenas artimanhas que aturamos em graus diferentes. Cartões levados de propósito são dignos de aplausos e entrevistas divertidas na saída de campo. Simulação de faltas têm direito a dedo na cara de quem tentou trapacear e indignação geral. Analisadas com rigor, as duas coisas são atitudes malandras. A do cartão é considerada esperteza, a simulação de faltas é considerada safadeza.



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