Borussia é um fiapo do futebol romântico



Há oito anos o Borussia Dortmund estava à beira da falência. Devia, por baixo, 170 milhões de euros. Se desfez do estádio de seus principais jogadores e via um futuro no mínimo sombrio pela frente.

A chegada de um novo presidente, Reinhard Rauball, ajudou na virada. Dívidas foram renegociadas, o estádio voltou ao poder do clube, apostas foram pinçadas no mercado em detrimento de astros consagrados… e a parte mais feliz da história você já sabe: uma torcida apaixonada lota a arquibancada em todo jogo; Lewandowski, Hummels, Gotze e etc vão fazendo miséria em campo e o time está na final da Liga dos Campeões.

A chegada do Borussia à decisão do campeonato de clubes mais importante e bilionário do planeta é um fiapo que une o futebol moderno e super-profissional com aquilo que todo mundo tenta achar e não consegue atualmente: uma faísca que aponte um caminho do sucesso que não seja o de ganhar mais dinheiro, contratar os melhores e mais caros jogadores e consequentemente levantar taças em sequência.

Longe de ser uma discussão maniqueísta. Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique, os três outros semifinalistas da Liga dos Campeões, têm torcedores tão apaixonados como aqueles que todo fim de semana lotam o Signal Iduna Park, o estádio do Borussia. Mas também têm muito mais dinheiro e seu sucesso dentro de campo se deve também a isso.

O Borussia, longe de ser um timeco qualquer, faz da paixão de sua torcida um dos ativos importantes para o sucesso. Tanto que parte de sua arquibancada é destinada à população de menor poder aquisitivo. O ingresso para assistir aos jogos do Borussia em Dortmund são os mais baratos entre os quatro semifinalistas.

A cada dia no Brasil temos que nos acostumar com o hiper-profissionalismo no futebol e todas as suas novidades: estádio virou arena, nome de estádio virou naming rights, torcedor virou sócio-torcedor e por aí vai. Nada contra. Se os clubes brasileiros quiserem ser competitivos em tempos de globalização, não há como seguir na idade da pedra. Mas é bom saber que há um clube que faz sucesso, enfrenta gigantes muito mais ricos e não faz do dinheiro sua única arma.

“O futebol não é um produto. É cultura”. Este é o lema dos dirigentes do Borussia Dortmund.



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