Um time precisa mais do que raça para vencer



Uma goleada humilhante sofrida contra o Mirassol, a manutenção de Gilson Kleina no comando, uma esperada reação violenta da torcida que não veio. A partir daí, um componente novo entrou em ação nos jogos do Palmeiras: a vontade com que o time passou a jogar, a maneira como os jogadores passaram a correr e, como consequência, o apoio da arquibancada e algumas vitórias. Uma química empolgante, quase mágica.

Jorginho fala que quer ver seus jogadores com sangue nos olhos após a eliminação na Taça Rio. No jogo seguinte, sem grande evolução técnica, mas com muita correria e suor na camisa, o Flamengo vence o Remo pela Copa do Brasil no Pará e emenda outra vitória na seqüência, no clássico contra o Fluminense.

A raça está na ordem do dia no futebol brasileiro. Se ela estiver presente, o time está praticamente absolvido mesmo se não vencer nem conquistar muita coisa. Representada pela comemoração de um goleiro que faz uma defesa ou de um zagueiro que desarma o adversário e manda a bola pra lateral para depois dar um berro e cerrar os punhos em direção à torcida, ela virou muito do que a arquibancada quer de seu time no Brasil.

Pode ser que a torcida veja o jogador honrando a camisa com estas atitudes. Nem que ele desonre esta mesma camisa com falta de talento para jogar futebol.

Hoje, o São Paulo entra em campo contra o Atlético Mineiro para conseguir uma difícil classificação para as oitavas-de-final da Libertadores. Os jogadores entrevistados durante a semana falaram, falaram, falaram… e tudo o que disseram pode ser resumido em uma palavra: raça. Como se este fosse o único ingrediente que falta ao cambaleante Tricolor na Libertadores.

Sem Jadson nem Luís Fabiano, a responsabilidade está nos pés de Paulo Henrique Ganso. Para boa parte da torcida são-paulina e dos rivais, Ganso é o jogador que representa fielmente aquele que carrega muito talento, mas nenhuma raça quando atua.

Ganso poderá sair do Morumbi sem a classificação e sem demonstrar grande futebol. Mas seguindo a tendência do que se anda valorizando por aqui, a absolvição virá se ele distribuir carrinhos, gritar, correr e sair de campo de uniforme sujo.

Evidentemente, vontade de ganhar é um ingrediente importante para se formar um grupo vencedor. Mas não é o único. Se fosse, tudo seria mais fácil.



  • cassio farinacio

    Querem justificar o péssimo momento vivido pelo futebol brasileiro falando em raça, o que precisamos verdadeiramente é de qualidade de jogadores e treinadores em condições técnicas do mesmo nível de uma Alemanha ou Espanha.Ainda não nos demos conta de que estamos abaixo desses países.

  • Carlos

    É curiosa essa campanha contra a raça!
    Qual é problema em ter raça?
    Qual o problema do Ganso demonstrar raça, vibrar com o jogo?
    Há muitos torcedores e colunistas que sonham com um futebol tendendo a tênis, snooker, golfe.
    Claro que gostamos de boa técnica, mas é gostoso ver o time correndo, querendo vencer!

  • Eduardo

    Uma coisa que poucos notam, e que todos os jogadores brasileiros de um modo geral tem habilidade, seja ele zagueiro, volante, lateral ou atacante, desde que joguem com raça, com vontade, tudo se torna possível, não é que o time vá ganhar, mais vai se tornar muito mais fácil de chegar lá, se nossa seleção demostrasse a metade da vontade que o palmeiras tem apresentado, seríamos facilmente campeões da copa, antes da qualidade dos jogadores, tem que ter e vontade e jogar coletivamente, se preencher esses requisitos, a qualidade com certeza vai aparecer.

  • Palmeiras terá uma exelente comemoração de seus 100 anos.

    AQUI É PALESTRA!!!

  • atilio

    Tirone, com todo o respeito ao seu nome, dava arrepio, ainda bem que o novo Presidente do Palmeiras chama Paulo Nobre, porque seu chara nem devia passar mais perto do Palestra Italia, e cada ação e pronunciamento do novo Presidente fica evidente a diferença de administrar um clube

  • Pulga

    Júnior vc ainda esqueceu de citar o Fernando Práss e o Wesley que são mt bons jogadores!!! E detalhe, tem vários garotos no plantel, além do Leandro, tem Patrick Vieira, Vinicius, João Denoni, Caio Mancha, Emerson, Edilson, Bruno Dybal… ou seja, são promessas agora, mas futuramente podem vir a serem grandes jogadores!!!
    Temos que acreditar no Palmeiras sim… pq o time não se defende só, vem mostrando aplicação tática ofensiva… a técnica não é a ideal, mas consegue jogar em bom nível contra os adversários que aparecerem!!!

  • Concordo com você, Tironi. Raça é apenas um dos componentes para vencer os jogos. De nada adianta ter raça e não impressionar tecnicamente.

  • Júnior

    Ninguém vê que o time do Palmeiras tem grandes jogadores?? Henrique, Valdívia, Souza e Leandro além de jogadores passando por excelente fase como Charles, Vilson, Márcio Araújo…

  • Jason

    Tudo querendo imitar o palmeiras, so pq lá deu certo!!!!!

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