O Superbowl e o complexo de vira-latas



Beyoncé tinha acabado de sair do palco e o público, no mundo todo, ainda estava espantado com o espetáculo. Os jogadores voltavam ao campo quando… acabou a luz no Super Dome em Nova Orleans. Um mico colossal no evento esportivo mais valioso, profissional e midiático do planeta.

O que se viu depois disso nas redes sociais foi tão espantoso quanto: um prazer quase carnal de ver o evento global escancarar uma falha tão grandiosa. Uma sensação de alívio, uma licença, quase um passe livre para qualquer tipo problema nos eventos que vamos sediar aqui em 2014 e 2016.

Não surpreende que a turma que trabalha na organização da Copa e da Olimpíada use este discurso criminoso para limpar sua própria barra: “Falhas acontecem até no Syuperbowl!”, vão dizer. O que surpreende são as pessoas que pagam por isso (o contribuinte em geral) adotarem a mesma conversa até com um certo orgulho.

Orgulho deveria ser mostrar na Copa e Olimpíada que o Brasil pode fazer bem feito. E não apenas se satisfazer de antemão com o fato de que os outros não fizeram.

Genial, Nelson Rodrigues batizou de “Complexo de Vira-Latas” a maneira como os brasileiros se colocam em posição de inferioridade sobre tudo o que vem de fora. Talvez nem ele um dia desconfiasse que uma nova modalidade deste complexo viria a surgir: a de enxergar micos tipo o do Superbowl como uma forma de aproximar o primeiro mundo do Brasil.



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