A invasão corintiana contada por um louco



Tentaram me convencer que eu ia ao Japão para ver um time caseiro. Diziam que nem os cinco títulos brasileiros, nem mesmo o título invicto da Libertadores, serviam para fazer o Corinthians extrapolar sua circunscrição paulista. Que sua torcida era numerosa, mas territorialmente inexpressiva no restante do país, ignorada no exterior, blá, blá, blá….

foto

Não sei se viajaram ao Japão 10, 20 ou 30 mil corintianos. O que sei e o que vi foi Tóquio pintada de preto e branco. Das estações de trem mais afastadas até as mais movimentadas, dos restaurantes estreitos e tradicionais do tsukiji market até os mais modernos de Ginza, do templo de Asakusa até as travessas em Harajuku, o mantra “Vai Corinthians” era entoado com poder, sem parar – inclusive por milhares de japoneses.

No domingo ensolarado da final contra o Chelsea, o caminho entre a estação de trem e o Nissan Stadium parecia mais a Major Natanael. O primeiro restaurante do caminho foi transformado num boteco com direito a percussão e cavaquinho. Mais adiante um sujeito vendia coxinha e bandeiras do Timão. No quarteirão seguinte, uma placa escrita churrasco, em bom português, com direito a linguiça e isopor com cerveja.

foto (4)

Na entrada do estádio, os japoneses, atônitos e com suas modernas filmadoras, rendiam-se ao poropopó. Mesmo aqueles com uniforme do Chelsea queriam ao menos uma foto, um registro que fosse com o bando de loucos. Impressionante.

Do meu lugar no campo, eu via a Gaviões da Fiel e suas bandeiras. Tatuapé e Pirituba estavam representadas? Claro que sim. Mas também estavam Paranavaí, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife. No meio do bando havia uma bandeira de Israel, outra Fiel Austrália, uma faixa Brasil-Canadá, bandeira do Peru, Timao-Japão. A cantoria era de arrepiar.

foto (2)

No dia seguinte, exibindo orgulhosos o manto sagrado, minha mulher e eu fomos abordados por três jovens japoneses que queriam fotos com os bi-campeões do mundo. Antes que pudéssemos perguntar seus nomes, eles foram logo se apresentando, peitos estufados: “Lomalinho”, “Paurinho”, “Cassio”.

foto (3)

É… O Corinthians é mesmo um time caseiro. Mas hoje sua casa é o mundo. Vai Corinthians!!

Luiz Augusto Klecz, 41 anos, advogado, foi um dos loucos a encarar viagem ao Japão para ver o Corinthians campeão do mundo.



MaisRecentes

Existem ‘mentiras’ convenientes, Carille



Continue Lendo

Na forma da convocação, Inglaterra deu show. O Brasil segue careta.



Continue Lendo

A “injustiça” com Buffon



Continue Lendo