Vaia para a Seleção não envolveu paixão



O futebol nanico apresentado pela Seleção contra a África do Sul justifica toda a vaia que se ouviu no Morumbi. Time sem variação de jogadas, lento, sem alternativas, burocrático.

A introdução acima é para não ser mal-interpretado a partir de agora, ao falar sobre as vaias.

A primeira questão é como classificar as pessoas que estiveram no Morumbi. Quando se fala “torcedor” existem vários tipos: o fanático pelo seu time, o fanático por futebol, o que asssite jogo só pela TV e só aparece quando o time ganha, o que não liga, mas torce na Copa… enfim.

Das mais de 50 mil pessoas presentes ao Morumbi, aposto que nem 10% é fanática pela Seleção. Ninguém ali saiu chorando de campo, o feriado de ninguém acabou por conta da apresentação ruim (ok, era só um amistoso). Mas assim que o juiz apitou pela última vez, acabou a ligação daquelas pessoas com a Seleção.

A grande maioria das pessoas que esteve no Morumbi “comprou” por, no mínimo R$ 80, uma diversão no feriado. Vaiou porque não foi tão divertido como ele exigia. O espetáculo foi chato, não teve goleada… nem a camisa amarela tradicional a Seleção usou. Aí, ele se manifestou vaiando. Vamos dizer que foi uma versão não-virtual do “xingar muito no Twitter”.

A tal aproximação da torcida com o povo, prometida por Ricardo Teixeira assim que a Copa de 2010 acabou, ficou só no discurso. Na era Mano, foram apenas QUATRO jogos em território nacional. A relação da torcida com a Seleção se deteriora ano a ano. Não há mais identificação nem orgulho de sermos os melhores (porque não somos mais). Assim, não há paixão que nasça, não há paixão que resista.

Tem gente que fala: “quer espetáculo vá ao teatro”. A maior parte do público do Morumbi pensou exatamente isso: exigiu ser recompensada pela fortuna que pagou. É justo. Mas a vaia não envolveu paixão, foi só um grito por um direito.



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