Fracassos olímpicos



Um nadador tem como melhor marca um tempo apenas 19 centésimos abaixo do recorde mundial. Além disso, é campeão do mundo e chega com enorme expectativa à olimpíada. Acaba apenas com a medalha de prata. Um país que formou o maior praticante de determinada modalidade em todos os tempos além de outros grandes campeões termina sem nenhuma medalha sua participação olímpica no masculino. Um país inventor de uma modalidade e que historicamente domina o cenário acaba os jogos sem nenhum ouro do time masculino, o que não acontecia há 24 anos.

Esses três fracassos olímpicos têm algo em comum: não são fracassos brasileiros. E repercutiram fortemente nos seus respectivos países. O nadador é o australiano James Magnussen. O país que formou o maior campeão de todos os tempos em uma modalidade (boxe) são os Estados Unidos e o campeão é nada menos do que Muhammad Ali. E o país inventor de modalidade que fracasou em Londres é o Japão, que terminou com zero ouros sua participação masculina no judô.

Na Austrália, há em curso uma investigação para entender o fracasso do país nas piscinas. Nos Estados Unidos se discute o fiasco no boxe. E o desempenho ruim do judô ganhou ares de vergonha nacional no Japão.

Se o sucesso olímpico é privilégio para poucos o fracasso é democrático. Todas os países que estiveram em Londres sentiram este gosto amargo em algum momento das duas semanas de disputa. E não falo de participar e perder, mas de chegar como favorito ou com muita tradição e não levar.

Quando Fabiana Murer não salta por causa do vento ou Diego Hipolito cai no tablado, é fácil culpar um suposto amarelismo de nossos atletas. Ou, por outro lado, lembrar que ser atleta no Brasil é um ato de heróismo pela falta de recursos. Assim, ele está absolvido do fracasso.

A diferença é que para cada fracasso norte-americano há sucesso em dobro, triplo, quádruplo em outra modalidade. Por aqui, cada medalhinha perdida é sofrida demais, mesmo com as metas nanicas que o COB se impõe. Porque nossas chances são quase únicas. Haja pressão…



  • Vejo que, quando o país vive um momento de confiança, otimismo e de criatividade, esse estado de espírito invade toda a atividade social. A meu ver, esse estado de espírito motiva o empenho, a dedicação maior, o espírito de sacrifício e a criatividade do pesquisador, do cientista. O país pode ter realizações no plano de conhecimento. Acho que isso também influencia as artes em geral. Literatura, artes plásticas.

  • Desculpe meu caro mas esta história de falta de recursos já deu. Os dois citados contam com pesados patrocínios inclusive de empresas públicas e privadas e a Murer treina no exterior onde compete. Precisamos é separar as coisas pois acho que tem muita gente ganhando para não fazer nada. O problema é mais em baixo e passa por massificação de praticantes de esportes Olímpicos (aí sim o governo pode investir que é na formação de base, escolas, centros esportivos e etc.. formação de atletas de alto nível não cabe ao governo e sim as Federações e COB).
    Este é o primeiro equivoco que se comete e dirigentes e parte da mídia (por ignorância sobre os esportes Olímpicos) repetem diariamente e todos passam a acreditar que seja a razão principal. Assim fica facíl para o Nuzman e cupinchas jogarem a culpa no governo.
    Quanto esta ou aquela modalidade ou atleta não ir bem em algum país, não compromete o todo já que ganham muitas medalhas no geral.
    Se houver mais esportes olímpicos e um pouco menos desta rotina massacrante de futebol 24 horas por dia, as coisa vão, mas se não houver espaços para outras modalidades quem estará interessado em patrocinar? Quando um atleta de alguma modalidade concede entrevista logo aparece aquela distorção no logo do patrocinador mas quando é futebol, passam 90 minutos mostrando a camisa do time e todos os seus patrocinadores. Como vemos a culpa não é só do dirigente mas de todos nós que insistimos sempre no mesmos erros e depois nos achamos no direito de cobrar.
    Finalizando: quantos concorrentes tem no Brasil a Murer, o Cielo, o Diogo, Daiane e etc… Pois é, continuaremos com os mesmos nomes até estes aposentarem e não houver seguidores.

  • Leandro

    Ótimo post Tirone, mas alguns fracassos nossos foram um fiasco, como a Murer não tentar pular por causa do vento e no caso do Diego Hipolito também não se classificar. No mais, sejamos francos, foi dentro dos parâmetros nacionais. Aliás, veio até medalhas no boxe e no pentatlo, que foram grandes surpresas devido ao não investimento do COB. Perder e ganhar é do jogo.

  • paulinho barreto

    E o Arthur Zanetti hein, chegouum desconhecido, ao contrário da Daniele dos Santos e o Diego Hypólitoo, mas mesmo assim levou! Já percebi uma coisa, sempre que yum atleta brasileiro chega com muita expectativa de um resultado, o resultado não vem.

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