Vaia educativa: eu apoio!



Brasil x Grã-Bretanha, amistoso de preparação para os Jogos Olímpicos, em Middlesbrough, na última sexta-feira. Entre os torcedores bretões, a expectativa estava em cima de um jogador. Claro, Neymar.

Ele pegava na bola e a torcida respirava fundo. Alguma coisa diferente aconteceria. Mas aos poucos a ansiedade deu lugar a decepção, que deu lugar aos protestos. A torcida vaiou Neymar depois que ele mergulhou no chão para cavar falta. A torcida europeia abomina esse tipo de malandragem. O árbitro (francês) não caiu na dele. E quando houve falta mesmo não marcou. Quando fez o gol, de pênalti, Neymar comemorou debochando. No intervalo, interpelado por um repórter sobre as vaias, estrilou e respondeu mal. Não está acostumado com críticas da torcida nem com perguntas que não sejam elogios.

As vaias ao principal jogador brasileiro podem se repetir durante a olimpíada. Não necessariamente esta é uma má notícia, pois poderá servir como lição, algo como uma vaia educativa. Neymar escolheu ficar no país, o que é legítimo e elogiável até. Mas aprender o que vem de fora pode ser bom. Aprender que tentar enganar o árbitro é malandragem rasa e desonestidade é uma bela aula.

No STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) já há gente que entende simulação de falta como algo passível de punição. Um auditor com quem conversei acha que a malandragem pode ser enquadrada no artigo 258 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Deportiva). Diz o texto da Lei: “Assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código. PENA: suspensão de uma a seis partidas (…)”.

Entende este auditor que a “ética esportiva”, bem como o “fair-play”, buscam um “jogo limpo”. Ou seja, que o resultado seja alcançado da forma mais cristalina possível, sem a ajuda de subterfúgios e/ou falsidades. Portanto, ele entende ser cabível a punição pela atitude contrária à ética desportiva.

A imprensa faz sua parte e, cada vez mais, vem se posicionando contra os malandros mergulhadores (“divers”, como chamam os ingleses). A torcida poderia começar a fazer a sua também. A vaia educativa pode mudar a cara do futebol brasileiro. Uma mudança de comportamento de nossos jogadores vale mais do que uma falta ou pênalti cavado a favor do seu time.



  • No STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) já há gente que entende simulação de falta como algo passível de punição. Um auditor com quem conversei acha que a malandragem pode ser enquadrada no artigo 258 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Deportiva). Diz o texto da Lei: “Assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código. PENA: suspensão de uma a seis partidas (…)”.

  • Renato Gonçalves

    Neymar representa bem o perfil médio do jogador brasileiro, ou seja, mal educado, metido a malandro e debochado. Está na hora das escolinhas de futebol tratarem seus alunos como cidadãos e não só como futuros boleiros.

  • Caso seja punido, Neymar pode ser enquadrado nos artigos 254 (praticar jogada violenta) ou 258 (assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Ambas prevêem de uma a seis partidas de suspensão.

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