Que saudade da minha camisa de 82



Há exatos 30 anos eu vesti pela última vez na minha vida uma camisa da Seleção Brasileira. Assim que o israelense Abraham Klein apitou o fim de Itália 3 x 2 Brasil, eu tirei a amarelinha que havia usado em todas as partidas da Copa e fui a uma praça perto de minha casa. Sentei na grama com uns amigos e ali fiquei tentando entender o que não dá para entender até hoje.

Não era uma camisa comum. Há 30 anos, um pré-adolescente ter uma camisa oficial de clube ou seleção era privilégio para pouquíssimos felizardos. E eu tinha a oficial da Seleção Brasileira! Com aquele escudo diferente (tinha um ramo de café e a Jules Rimet estampados), um tecido acetinado e brilhante e a marca Topper do lado direito. Coisa fina, que eu ostentava orgulhoso nas peladas no clube.

Depois do dia 5 de junho de 1982, aquela camisa da Seleção Brasileira ficou por alguns anos no meu armário. esperando um dia que eu (distraído, sei lá) a vestisse correndo e fosse jogar bola no clube. Isso nunca aconteceu. Até que ela sumiu sem que eu nem percebesse. Minha mãe deve ter doado para alguém, nunca perguntei.

Para um menino como eu, aquela camisa foi símbolo da maior dor que o esporte já me provocou. E que mudou muito minha maneira de encarar a Seleção Brasileira. Foi a partir da tragédia do Sarriá que eu gradativamente passei a torcer cada vez menos pela Seleção e a gostar mais de futebol pelo futebol. Garoto, eu não poderia imaginar o bem que o time de 82 me fez.

Hoje, aquele modelo específico da camisa da Seleção virou artigo raro e descolado. Réplicas foram lançadas para moderninhos e fanáticos por futebol. Nunca tive vontade de ter uma cópia como essas. Porque a minha, original e carregada de todo o sentimento que aquele time me provocou, é inigualável.

Esses dias senti uma saudade enorme da minha camisa do Brasil de 82. Se ela aparecesse no meu armário como num passe de mágica, eu pediria desculpas pelo abandono, admitiria que ela é a camisa da Seleção da minha vida. E agradeceria muito por ela ter mudado meu jeito de gostar de futebol.



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