No Engenhão, cerveja não entra. Mas vândalo sim



Cinco dias entre o crime e a divulgação da pena definitiva. 30 anos afastados dos estádios de futebol. Estes são os números que chamam a atenção no caso do torcedor do Ajax que invadiu o campo e tentou agredir Esteban Alvarado, goleiro do AZ Alkmaar, em jogo pela Copa da Holanda.

O infeliz tem 20 anos e só poderá pisar novamente em uma arquibancada quando tiver 50. Até lá, terá tido tempo bastante para pensar na asneira que fez.

A punição exemplar surgiu no mesmo momento em que foi noticiada no Rio de Janeiro (Brasil) a proibição de bebidas alcoólicas no entorno do Engenhão. Os dois fatos parecem não ter nada a ver, mas têm sim.

Enquanto na Holanda estão chutando dos estádios os arruaceiros, no Brasil quem não entra é a cerveja, mas os baderneiros podem seguir batendo nos outros à vontade, desde que sóbrios.

Os legisladores brasileiros abusam da criatividade na tentativa de coibir a violência. Há anos os estádios paulistas são os mais tristes do Brasil porque ali é proibido entrar com bandeiras. Como se o mastro não necessitasse de um torcedor para mandá-lo na cabeça de um rival.

A proibição de bebida alcoólica no entorno do Engenhão é só mais uma dessas pirotecnias pouco efetivas. O mesmo já ocorre no Maracanã e o secretário de Ordem Pública do Rio de Janeiro, Alex Costa, disse ter “informações de que a ação no Maracanã ajudou a coibir as brigas”.

Há dados sobre isso? Seria interessante se a sociedade fosse convencida com base em dados concretos.

Enquanto isso, uma medida que poderia começar a ajudar no afastamento de baderneiros de verdade de dentro dos estádios patina. O credenciamento das torcidas organizadas, parte do projeto Torcida Legal, vem sendo feito a passos de tartaruga e ainda de maneira nebulosa.

O governo federal, através do Ministério do Esporte ainda na administração Orlando SIlva, repassou R$ 6,2 milhões para o Sindicato das Associações de Futebol (Sindafebol) fazer o cadastramento. O dinheiro foi todo pago, mas o projeto jamais andou.

E a culpa não foi da cerveja.



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