Os gandulas nossos de cada dia



Uma prática quase tão antiga quanto o futebol foi desmascarada no fim de semana. Os gandulas jogam para o time da casa no Morumbi. Eles seguram a bola reserva em vez de deixá-la perto do gol quando Rogério Ceni tem uma falta para bater. Isso para evitar o contra-ataque sem goleiro para o adversário.

O artifício pega mal para o clube que ultimamente vem se sentindo prejudicado pela CBF, por tudo e por todos. E mal para o goleiro que serve como porta-voz das reclamações tricolores sobre forças ocultas atrapalhando o time em campo.

É bom quando uma história dessas vem à tona. Primeiro porque a vigilância será maior, dificultando nova ação neste sentido. Segundo porque algo que não é normal deixa de ser tratado como se fosse. E terceiro porque mostra que neste negócio chamado futebol não tem ninguém 100% mocinho.

Mas a atitude dos gandulas malandros do Morumbi não é muito diferente de outras com o mesmo objetivo em qualquer estádio do Brasil e da América do Sul. É o chamado “fator casa”, numa ótica tão tortuosa quanto comum sobre porque atuar em seu próprio campo é sempre melhor.

Em tese, as vantagens de se jogar em casa são a familiaridade com o campo, a proximidade da torcida e a ausência de uma viagem cansativa. Na prática, são também os gandulas escondendo bolas, além de outros atos até mais perversos como vestiários com cheiro forte, falta de chuveiros quentes, violência e intimidação de toda sorte.

Isso sem falar na impossibilidade de uma torcida visitante entrar no estádio antes do fim do primeiro tempo, uma prática tão cotidiana por aqui que nem notícia é mais.

Tudo é colocado dentro do pa cote “jogar fora de casa”, como se fizesse parte do espetáculo.

Do lado de baixo do Equador o visitante deveria ter outro nome: invasor. Tudo o que puder ser feito para repelir este sujeito, será feito.

Seria muito bom se o caso dos gandulas do Morumbi servisse de estopim para novos tempos em nosso futebol, em que o visitante recebesse tratamento de… visitante.



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