Cadê a torcida pela Seleção?



Quem viu a cena na TV sem saber do que se tratava imaginou que era o público na porta do hotel antes do show do Restart no Rock in Rio (sim, eu sei que o Restart não tocou no Rock in Rio, foi só um exemplo).

Mas na verdade o hotel ficava bem longe do Rio de Janeiro e o som que exalava -para ficar na linguagem dos boleiros- era o pagode.

Estou falando das meninas histéricas que receberam a Seleção em Belém do Pará e depois foram para o Mangueirão ver o treino e gritar um pouco mais.

Tietagem é algo natural para adolescentes, cheias de sonhos na cabeça e hormônios nervosos. Já era assim quando os Beatles pisavam no palco, há quase cinquenta anos.

Estranho é o fato de que todas as últimas vezes em que a Seleção visitou algum lugar pelo país, a torcida enlouquecida que apareceu era formada basicamente por meninas com suas cartinhas perfumadas de 500 metros, cartazes, mãozinhas em formato de coração, vozes agudas e choro fácil.

Figurinhas carismáticas como a de Neymar ajudam a explicar essa fascinação das meninas. Ele é o galã do momento, o Colírio da revista “Capricho”. Para os meninos ainda não adultos ele é “o cara”: com o cabelo legal e muita grana.

Para os barbados, é um baita jogador, mas estes não costumam levar cartinhas nem cartazes para o hotel, muito menos fazer coraçãozinho com as mãos. E têm um senso crítico maior quando ele não joga o que se espera dele.

Talvez porque a torcida desses seja pela Seleção e não pelo Neymar, o Fred, o Ronaldinho Gaúcho.

Este é o ponto: onde está a torcida para a Seleção e seu futebol? Onde está a torcida que ama a Seleção mais do que ama as estrelas de que ela é formada?

Um amistoso mal-ajambrado com a Argentina apenas com jogadores que atuam no Brasil é um convite para a não-torcida.

Não, não acho que o estádio hoje estará vazio. Pelo contrário, deve estar lotado. De gente que foi lá mais para ver o Neymar, o Fred, o Ronaldinho Gaúcho do que de gente que foi lá para ver a Seleção em campo.

Esta é mais uma faceta do distanciamento da Seleção da torcida e até dos nossos tempos. Vivemos um mundo muito mais individualista. O sucesso da Seleção é um detalhe diante do brilho de Neymar e companhia.

 



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