Clubes deveriam formar cidadãos



Uma voadora precisa no pescoço de um jogador da base do Vasco provocou reação uníssona em redes sociais, TVs, rádios, etc: punição severa para Gustavo, goleiro do Sport, responsável pelo ato covarde.

A puniçao veio: em vinte minutos a direção do clube de Pernambuco divulgou nota demitindo sumariamente o dublê de assassino. Pronto, a justiça foi feita!

Este espaço não pretende defender o indefensável ato muito menos seu autor, no mínimo um irresponsável. Mas diante de tal barbaridade, algo origatoriamente tem de entrar em discussão: o que os clubes estão fazendo em suas divisões de base?

Vivemos em um país com gravíssimas deficiências de educação, ainda que o país tenha crescido muito nos últimos anos. E educação é questão elementar para o sucesso de uma nação.

Em um cenário como este, clubes não deveriam apenas formar jogadores de futebol, mas ajudar na formação educacional destes moleques, cada vez mais preocupados com o tamanho do moicano e a conta bancária e menos com valores de cidadania.

Gustavo pode ter tido uma educação primorosa em casa e aprendido valores dos mais altos no Sport ou em outros clubes por onde passou.

Aí, estaremos diante de um caso de curto-circuito mental, que provocou seu ato selvagem.

Por outro lado, ele pode nunca ter sido orientado sobre regras da vida em sociedade e chegado ao jogo contra o Vasco acreditando que qualquer um que não seja Sport é inimigo. Deu no que deu.

Em nosso futebol, desde as primeiras categorias, ganhar passou a ter mais importância do que se desenvolver, brincar, se divertir (quando isso é o que crianças devem fazer). Cada vez mais cedo jovens atletas carregam o peso de garantir o sustento não só seu, como da família.

Há alguns anos os clubes usaram o argumento de sua função social (entre outros) para ter a Timemania, loteria que renegociou dívidas milionárias com o governo. Então, que eles ajudem não só na formação de jogadores, mas de cidadãos.



  • muito bom.. ta que nem a polêmica da Sandy e agora se não bastasse o Júnior.. rs.. http://migre.me/5v371

  • ANDRE DIAS

    Portugal e Espanha, dois dos países europeus mais atingidos pela crise econômica, já ligaram o sinal de alerta em relação ao futuro sustentável de seus clubes. Na semana passada, os principais veículos de economia espanhóis mostraram que a crise afeta, e muito, o bolso dos clubes chamados de “classe média alta” no país.

    Valencia, Villareal, Sevilla e Atlético de Madrid terão a camisa “limpa”, pelo menos neste início de temporada do futebol espanhol. A falta de patrocinador é reflexo direto da crise. As empresas têm menos dinheiro para investir. O clube, em compensação, não aceita o valor oferecido e, assim, acaba ficando sem nenhum patrocinador.

    Já em Portugal, um estudo divulgado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) em parceria com a consultora Delloite mostra que os clubes precisam, urgentemente, modificar o seu modelo de gestão. Na última década, os clubes portugueses perderam receita com os direitos de televisão e passaram a ganhar mais com a venda de jogadores.

    O estudo traz, entre várias perguntas, duas muito interessantes: “Não seria melhor começar a se pensar numa venda coletiva dos direitos de TV?”. O outro questionamento importante é “Será que para os clubes terem competitividade precisam ser deficitários?”.

    As duas questões e o exemplo espanhol valem para pensarmos, no momento de bonança que vive o futebol brasileiro na atualidade, sobre o que será dele quando a gastança desenfreada acabar.

    É natural, com uma natural freada na economia do país, que o futebol perca receita. O grande drama é ver cada vez mais claramente que os clubes brasileiros não estão se preparando para isso. Assim como aconteceu com espanhóis e portugueses (o exemplo se estende para alguns times de Itália, França e Inglaterra), corremos o risco de voltarmos, em cinco a dez anos, a discutir como salvar os clubes do país da penúria financeira.

    O sinal de alerta na Espanha e Portugual foi ligado. No Brasil, ainda parece absurdo pensar nisso. Mas é bom aprender com os erros. Ainda melhor quando o erro é dos outros.

  • André Luiz

    Caro Tirone,

    Desculpe utilizar este e-mail fora do assunto, mas gostaria de perguntar se o Lance, diário sempre coerente e que tanto tem auxiliado o esporte nacional, com uma postura crítica e isenta, não está sendo incoerente ao só chamar o estádio do Corinthians de Fielzão.

    Oras, se o objetivo é vender o naming rights, em hipótese alguma esta postura do Lance colabora com o objetivo do Corinthians e, consequentemente, prejudica uma nova possibilidade de arrecadação no esporte nacional, já que em nenhum caso houve sucesso com naming rights no Brasil.

    O Lance bem que poderia rever esta postura e chamar de Arena Corinthians. O que acha ?

    Abraços,

  • Tironi,

    segundo o jornalista Odir Cunha, o Santos tem a terceira maior torcida do Brasil. O que acha disso?

    Leia em http://bit.ly/mR9oRt

    Abraço.

  • Ado Marcelo

    O Problema não está no fato de que o cara vive um nível de competição intenso desde muito cedo, todo, repito, todo esporte de alto nível começa da mesma forma. Crianças e jovens que abdicam de tudo para se dedicarem à sua paixão e no fim, uma pequena minoria se torna medalhista olímpica.

    O problema está mesmo na formação do cidadão, do caráter dessa pessoa, da sua disposição à violência, é um problema cultural.

    Por isso dizem que o Rugby é um esporte de brutos praticado por cavalheiros e o futebol é um esporte de cavalheiros praticado por brutos.

    Categoria de base está morrendo, quem vai fazer papel de categoria de base são as equipes do interior e as menores equipes da cidade, tipo Santo André, São caetano etc…

  • Esse blog do Tironi é muito chato!! Esse aqui é beeem melhor:

    http://ordinariosfutebolclube.blogspot.com

    Zuera, Tirone!!

    hehehe

  • Jr Barbosa

    Quem forma um cidadao é a FAMILIA. Eu nunca que teria coragem de fazer o que ele fez pq minha mae e pai me ensinaram que aquilo ali era errado. A escola tbm eh fundamental para formar um cidadao, mas sem um base familiar nao adianta. O clube ta certo em punir ele severamente. Quem ta com dó desse marginal, leve-o para casa.

  • Alexlyzardo

    No caso do Edmundo e Luis Fabiano ninguem cobrou demissao pros cara.
    E o Adriano? tbm nd.. porque o muleque anonimo e começando a carreira não pode ter pane? qual muleke nao teve acesso de raiva? Não estou defendendo o garoto! Deve ser orientado e deve sofrer uma puniçao do clube, mas convenhamos, é anonimo, um garoto; se fosse o Messi duvido que chegaria a tanto? pro Adriano, edmundo, Luis fabiano nao chegou!
    O rapaz deve arcar com as consequencias? Com toda certeza, mas com certeza a consequencia a este ato não é a Exclusao sumaria de um clube. Exclusao do seu trabalho.

  • tretes

    Quem tem que formar o cidadão é a familia,o rapaz errou,tem que ser responsabilizado,mas,estão exagerando.QUE TAL ENFORCA-LO EM PRAÇA PUBLICA?

  • MSC2000

    Tironi,
    Acho que deve ser demitido sim. Aliás, acho que outros clubes deveriam rejeitá-lo.
    Para quem não se lembra, quando juvenis, Edmundo e Djalminha foram expulsos do Botafogo por atitudes incompatíveis com o clube. Tanto fizeram que foram expulsos do clube.
    Apesar de ter perdido dois grandes jogadores, o clube estava correto. Não poderia deixar continuar a situação como estava. Erraram Flamengo e Vasco, que acolheram os dois.
    Daí pra frente, todos conhecem as estórias.
    Antes de tudo, o clube é um local para interação social e prática de esportes, e não é compatível com atitudes criminosas.
    Que sirva de lição a outros “marginais” em formação.

  • charles fla

    Punir o garoto é facil, quero ver punir o Luis fabiano quando ele deu aquela voadora nso jogadores argentinos no Morumbi, pq nao puniram o edmundo quando chutou um reporter quando jogava no palmeiras, e o Adriano quando deu 2 socos no rosto de um jogador quando ele jogava na Inter,,, repito punir um menino é facil quero ver punir jogadores consagrados..

  • Gustavo

    Absurdo isso. Agora todo mundo fica contra o garoto. Ele errou, mas mandá-lo embora do clube só para mostrar para a imprensa e para a população que tomou atitude. Interessante seria orientar o garoto e punir internamenten. Quem aqui nunca fez algo sem pensar?

  • Poderia ser a convocação da Seleção, a tentativa do Santos de adiar o clássico contra o Corinthians ou o bate-rebate entre o Flu e Felipão.

    Como não seria absurdo fosse o megatweettaço contra Ricardo Teixeira, o reencontro entre Inter e Barcelona ou a demissão de Sérgio Batista do comando da Argentina.

    Mas esse é o problema. A gente sempre arruma assunto para falar e deixa de lado o maior problema do futebol brasileiro atual: a deficiente formação moral e cívica dos nossos meninos boleiros.

    E não estou aqui para defender, muito menos crucificar Gustavo, goleiro do Sport, protagonista do absurdo aí de cima. Embora, confesso, a primeira reação foi de sugerir uma bela de uma cadeia ao rapaz.

    A ideia é apenas abrir o devido espaço e ampliar a discussão a respeito das causas de uma tragédia, afirmo com todas as letras, ANUNCIADA. Porque não é de hoje que nossos moleques – modo pejorativo ligado – vêm aprontando.

    Sem precisar citar nomes, é gente andando nua na concentração.

    Cidadão flagrado em doping por uso de drogas.

    Indivíduo que se recusa a entrar em instituição religiosa.

    Camarada que chama colega de profissão para a briga, via Twitter.

    Profissional que vai ao treino com cara de ressaca.

    Que bate com o carro na “night”.

    Que é suspeito de matar a namorada.

    Pois até quando o mundo do futebol encarará tais peripécias como meras brincadeiras de menino mimado ou somente atos isolados?

    E não caiamos na confortável ideia de empurrar toda a responsabilidade para cima dos empresários. Ela é também dos clubes, das federações e nossa. No cumprimento do papel de pai, irmão, professor ou, simplesmente, agente formador da sociedade. Pois, sejamos justos, uma pequena volta nas ruas de qualquer cidade, nas baladas da vida, nos mostra que a triste realidade não se restringe a uma única classe profissional ou social.

    “Menos de um por cento chega a ser profissional. Seria muito irresponsável estimular que o futebol é a salvação, quando a estatística marca que 99% não irão se salvar. Falar com os pais é fundamental, mas creio que as instituições esportivas tem que divulgar essas cifras, que são duras, e estabelecer políticas, nas quais, quem está participando do processo esportivo não abandone os estudos, que consolidem sua personalidade. É tarefa dos adultos porque em algum momento os prejudicados serão esses 99%, que em algum momento vão reclamar. Um dia eles se perguntam: ‘Por que não me disseram que esse caminho não era seguro, me disseram tantas vezes que ia chegar’. O menino tem 12, 14, 15 anos, e há adultos, que, com pouca responsabilidade, estimulam, estimulam e depois quando esse menino, ou adulto está só, não vê ninguém ao redor, para dizer que agora tem 20, 25, 30 anos, e futebol te disse que não, e está só na vida”.

    Onde estará nosso Gabriel Gutierrez?*

    Que ele apareça, antes que nosso futebol acabe.

    Boa quarta!

    *Gabriel Gutierrez, psicólogo, autor da frase acima, é braço direito e peça fundamental no trabalho do técnico Oscar Tabarez junto às divisões de base do Uruguai.

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