Olhos verdes na mulher feia



Uma psicóloga esportiva de um grande clube do Brasil contou a seguinte história: um jogador da base do time, que tinha salário de R$ 1.500 no máximo, subiu para o profissional e, no pra-zo de um ano, passou a ter vencimentos de R$ 120 mil.

Sua primeira compra foi um carro. No valor de R$ 120 mil. Assim, sem planejar o mês seguinte, quanto mais o futuro a médio prazo.

A história acima explica como dinheiro pode tirar pessoas de seu juízo normal. E não é necessário ser jogador de futebol para sofrer isso.

Pense você, caro leitor, ter seus rendimentos aumentados em 8.000% no prazo de um único ano?

Essas loucuras podem acontecer também com instituições. E a conversa aqui é por conta do aumento considerável do poder aquisitivo dos clubes brasileiros. Sim, os clubes brasileiros estão mudando de patamar.

Dinheiro é bom, ninguém é louco de dizer o contrário. E, em situação normal, ele é solução e não problema. Mas pode virar problema se não souber como utilizá-lo. Ou pode se tornar inócuo se as condições gerais do ambiente não acompanharem o ritmo de fartura.

É razoável gastar uma bolada assustadora até para o milionário futebol inglês em apenas um jogador, no caso do Tevez?

Ou o mesmo dinheiro poderia ser utilizado para melhorar a estrutura da base ou contratar outros jogadores menos midiáticos, mas que dariam uma homogeneidade maior ao elenco?

Dinheiro abundante, como mostra o exemplo lá de cima, pode nos fazer enxergar apenas no curto prazo.

Há outro ponto que não se resolve com dinheiro: a estrutura das instituições. A bolada recebida por nossos clubes pode não ser nem sentida, se o futebol aqui dentro não evoluir.

Estádios melhores, leis contra a violência e corrupção sendo cumpridas, calendário mais organizado são exemplos do que não temos e do que o dinheiro dos clubes não resolverá.

Ter muito dinheiro em um futebol com a estrutura caindo aos pedaços é como olhos verdes lindos em uma mulher feia. Ou dente de ouro
na boca cheia de cáries.



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