Papai Noel existe



A maior decepção da minha infância foi quando descobri que Papai Noel não existia. (Se alguém que lê esta coluna acreditava nele, lamento… mas ele não existe).

Foi a primeira grande sensação de desesperança que lembro ter sentido. A primeira vez que senti de verdade que o mundo nem sempre é do jeito que se deseja e que a gente pode ser enganado pelas aparências.

Cesar Cielo pode ter sido vítima de negligência da farmácia, do azar, de alguma trapaça, do que quer que seja. Por enquanto ele foi só advertido pela CBDA (Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos).

Seu caso está sendo avaliado pela Fina (Federação Internacional de Esportes Aquáticos) e pela Wada, a Agência Mundial Antidoping.

Até prova em contrário, ele é inocente e torço por isso.

O que não me impede de sentir uma ponta de desesperança com o esporte em geral.

Curioso como ele tem o poder de transformar homens barbados em crianças alegres com cada vitória conquistada. E como ele nos decepciona como crianças manhosas quando nos coloca dúvida sobre a honestidade que é praticado.

E o doping tem papel central nisso: é ele que nos tira a paixão e nos enche de desconfiança. E ainda cruelmente nos inclina a julgar todos os “dopados” de uma mesma maneira: como aquele que tira alguma vantagem de forma ilícita.

Mesmo que Cielo seja inocente nessa história e, de novo, eu torço muito para isso, sempre haverá alguém a dizer que ele é trapaceiro.

Só um atleta de alto rendimento sabe como é viver sob intensa pressão. Ele está no fio da navalha todo o tempo, com rígidos controles de alimentação, de ingestão de remédios, etc.

Além da pressão por resultados.

Nosso maior nome do esporte na atualidade pode não ser punido e seguir subjugando adversários e pulverizando recordes nas piscinas.

Que bom que seja assim!

Mas seu caso coloca de novo dúvida sobre a lisura das disputas esportivas. Como aquela que se tem quando ainda se crê em Papai Noel, mas já desconfia que ele não exista.



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