Pontos corridos x mata-mata



Quarta-feira, 23h30. A minha timeline no Twitter começa a ficar cheia de exaltações ao mata-mata e reclamações contra os pontos corridos. Naquele momento, Coritiba x Vasco faziam uma final épica de Copa do Brasil.

Em outro canal, o São Paulo vencia por 1 a 0 e segurava uma pressão terrível do Atlético Mineiro fora de casa. Jogo valendo a liderança do Campeonato Brasileiro.

Por força da minha profissão, a maioria das pessoas que sigo no Twitter são ligadas ao esporte. E a discussão mata-mata x pontos corridos, pelo menos ali no meu espaço, ganhou quase mais importância do que o jogão em Curitiba. E muito mais importância do que Atlético Mineiro x São Paulo.

Mas a comparação entre os dois jogos não é justa. Estamos falando de uma final que teve todos os ingredientes dramáticos possíveis: o jejum de títulos do Vasco, a vitória apertada no primeiro jogo, deixando o segundo em aberto, alternância maluca no placar… Nem se em outro canal estivesse passando Manchester x Barcelona pela final da Liga dos Campeões alguém tiraria o olho de Coritiba x Vasco.

Em Minas, o jogo era muito bom. O São Paulo segurou um placar de maneira quase tão heróica quanto o Vasco. Levou bola na trave e Rogério Ceni fez alguns milagres. O time saiu de campo com a liderança isolada. Mas era a terceira rodada, apenas.

É evidente que do ponto de vista de emoção este jogo não poderia ser comparado à decisão no Paraná. Seria tão injusto como comparar Corinthians x Internacional nas últimas rodada do Brasileiro de 2005 (pontos corridos), valendo título, com um Coritiba x Vasco pela terceira rodada da Copa do Brasil com o primeiro jogo em São Januário sendo vencido pelo Vasco por 3 a 0.

Quando em 2010 o Santos venceu a Copa do Brasil com razoável facilidade em cima do Vitória, poucas vozes se levantaram para dizer que o mata-mata era garantia de emoção. Naquele caso, não foi mesmo.

Não há consenso sobre qual fórmula de campeonato é mais interessante. Tanto que a discussão sobre o assunto vem e vai todo ano. As duas fórmulas são boas, depende do gosto do freguês. E, tal como um restaurante, que não pode oferecer apenas um prato, o melhor é dar ao cliente mais de uma opção.

O problema é colocar os dois campeonatos disputando a atenção do torcedor com jogos no mesmo exato momento. É como forçar o cliente a comer dois pratos diferentes ao mesmo tempo.

O correto seria um calendário mais racional. Copa do Brasil no meio de semana, disputada o ano todo. E por favor, com os times que também estão na Libertadores.

Os finais de semana seriam dedicados ao Brasileiro por pontos corridos. Mais do que premiar a regularidade, este tipo de competição atrai anunciantes, garante renda e dá a chance de o clube se planejar para uma temporada inteira sem ficar a mercê do resultado de um jogo.

Com os dois campeonatos caminhando ao mesmo tempo, mas em datas diferentes, damos ao torcedor a possibilidade de escolha. Ele pode gostar de uma coisa ou de outra. Ou até das duas, como no meu caso. E não perderá nada.



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