‘Me diga o que você tem para mim’



A frase “Me diga o que você tem para mim” teria sido dita por Ricardo Teixeira, segundo o ex-presidente da Federação Inglesa de Futebol, Lorde Triesman.

O presidente da CBF teria pedido um “presente” para votar na Inglaterra como sede da Copa de 2018. Como se sabe, a Terra da Rainha teve apenas dois votos na rodada final da eleição e o Mundial será na Rússia.

Chamado para se explicar em uma comissão do Parlamento Britânico pelo fracasso inglês em sediar a Copa do Mundo, Lorde Triesman pode muito bem ter se sentido pressionado (alguns cartolas sabem bem o que é sentar em uma mesa no Congresso e ter de se explicar).

O inglês, poderia então, ter jogado sujeira no ventilador, atirando para todos os lados sem nenhuma preocupação em que isso fosse mesmo verdadeiro.

Mas ele pode também estar falando a verdade e só há um jeito de saber: investigando. Foi o que prometeu Joseph Blatter, presidente da Fifa. Mas é melhor não contar seriamente com isso.

Aqui no Brasil, foi iniciado um processo para se criar uma nova CPI para investigar (esta é palavra chave) Ricardo Teixeira. Capitaneada pelo deputado Anthony Garotinho, naufragou em menos de um mês, depois de visitas providenciais do presidente da CBF a Brasília.

A lista que chegou a contar com mais de cem assinaturas de deputados evaporou rapidamente, como os votos para a candidatura inglesa para 2018.

Não se sabe o que foi conversado nas salas do Congresso nem se a frase “me diga o que você tem para mim” foi pronunciada por ali. Mas o poder de convencimento do cartola se mostrou enorme.

O que não dá para esconder mais é que as obras para a Copa de 2014 estão atrasadas e ninguém mais tem certeza do sucesso do evento no Brasil.

Previsões dão contra de que nem mesmo a metade das reformas dos aeroportos estará finalizada até 2014. E o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, decretou que, sem o Fielzão, não haverá Copa das Confederações em São Paulo.

Na maior cidade do país, aliás, só há até agora o desejo de se construir um estádio para o Corinthians, que servirá para a Copa. O início das obras, previsto ainda para 2010, já foi prorrogado diversas vezes. A próxima previsão de início é maio. Ou junho. Não sei mais, mas é provável que ninguém também saiba.

Obras atrasadas abrem espaço para se abandonar licitações e gastar mais dinheiro. E aquela euforia que explodiu no país quando Blatter abriu o envelope e mostrou a palavra “Brasil” vai dando espaço à apreensão.

A Copa no Brasil poderia acelerar obras de infraestrutura, aumentar a autoestima da população e mostrar um novo Brasil, em forma de potência econômica, para o mundo.

À medida que o evento se aproxima, entretanto, a vontade é apenas de perguntar: “Copa do Mundo, me diga o que você tem para mim.”



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