Outro golaço de Zico



Zico sempre foi simples dentro de campo. Sempre mostrou um futebol muito objetivo, vertical, em direção ao gol.
Sempre optou pelo caminho mais fácil rumo à meta adversária, fosse em um chute, uma cobrança de falta ou na armação de uma jogada.
Craques como Ronaldinho Gaúcho ou Maradona são de uma outra espécie de jogador: mais virtuoso e vistoso.
E aí está a genialidade de Zico. Foi gênio fazendo tudo de maneira muito fácil, sem firulas, sem excessos.
A genialidade do Galinho surgiu de novo nesta segunda-feira. Foi dele a frase mais direta, simples e ao mesmo tempo completa sobre a decisão da CBF de decretar o Flamengo campeão brasileiro de 1987.
“Para mim não muda nada. Eu sempre me senti campeão brasileiro de 1987”.
Para os microfones que esperavam lágrimas,exaltação, comemoração, frases de efeito como “enfim a justiça foi feita”, foi uma frustração.
Zico não é disso, basta ver como foi enquanto jogador.
Sua declaração objetiva e claríssima sobre o título de 87 dada segunda-feira pode ser comparada com o gol que fez em 1986 diante da Iugoslávia em um amistoso no Estádio Arruda, em Pernambuco.
Recebeu a bola, limpou um zagueiro, invadiu aárea limpou o goleiro e tocou para o fundo do gol. Tudo só com a perna direita. E ele vinha de uma  contusão gravíssima no joelho.
Enfim, fez o que só um gênio poderia fazer, com a simplicidade que só alguns gênios têm.
Ao mesmo tempo, cartolas envolvidos na questão do título brasileiro de 87
passaram os últimos tempos matando de canela, coisa que Zico jamais fez.
Juvenal Juvêncio, presidente doSão Paulo recebeu a malfadada Taça das Bolinhas semana passada e declarou que iria “deliciar-se com ela”, como se ele mesmo não soubesse que a taça deveria ser do Flamengo.
Ricardo Teixeira,com a cara de pau do jogador que  faz falta criminosa e levanta o braço dizendo que não fez nada, declarou segunda-feira que “a história está sendo passada a limpo”.
Ele mesmo que havia declarado ser “impossível” decretar o Flamengo campeão brasileiro de 87 quando fez o saldão de títulos brasileiros no fim do ano passado.
E Patrícia Amorim também fez questão de contribuir ao ser flagrada dando um afago na mão de Teixeira, após ter o título de 87  reconhecido. Ela mesma que soltou fogo pelas ventas no fim do ano passado, irada com o presidente, quando ele ainda não tinha interesse em “passar a história a limpo”.
No futebol é assim: para cada punhado de pernas de pau, temos sempre um craque desfilando talento e elegância por aí.
O título brasileiro é do Flamengo desde 13 de dezembro de 1987.
Se a canetada da CBF valeu para alguma coisa, foi para Zico fazer mais um golaço. Simples como sempre foi.


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