Ronaldo deixa um buraco



Dias depois do título mundial de 94, uma reportagem de Tino Marcos, da TV Globo, apresentava duas figuras que, em tese, garantiriam futuro tranquilo para o ataque brasileiro nos anos seguintes.

A reportagem focava em dois jogadores da campanha de 94 que pouco ou nada apareceram em campo: Viola e… Ronaldo.

O primeiro entrou na prorrogação da final contra a Itália e deu uma incrível arrancada no ataque que quase resultou no gol do título. Dá para imaginar como a história seria contada de outra maneira se o gol tivesse acontecido? Mas não aconteceu e Viola é hoje na história o único tetracampeão ainda em atividade.

O segundo… Bom, tudo o que você gostaria de saber sobre Ronaldo já leu na internet, em jornais, viu na TV e ouviu em rádios desde domingo. Ele encerrou a sua brilhante carreira segunda-feira.

Como tudo o que poderia ser dito sobre o Fenômeno já foi, o assunto aqui é o vácuo que ele deixa no futebol brasileiro.

Com o fim da carreira de Ronaldo, morreu o último representante de uma linhagem de atacantes que garantiu ao Brasil ter um craque, com C maiúsculo, em seis Copas do Mundo seguidas.

Vamos a eles: 86 (Careca), 90 (Careca), 94 (Romário), 98 (Ronaldo), 2002 (Ronaldo) e 2006 (Ronaldo, aqui já muito fora de forma, mas ainda Ronaldo).

Luís Fabiano, nosso camisa 9 de 2010, é um fabuloso atacante, mas em um nível abaixo de seus antecessores, sem dúvida.

Além de uma certa tristeza e da constatação de que o tempo é um inimigo invencível, a aposentadoria de Ronaldo também nos dá um certo frio na barriga, porque mergulha o futebol brasileiro (mais precisamente o ataque) em uma era de incertezas.

Até o momento não despontou nenhum novo centroavante para envergar a camisa 9 na Copa do Mundo do Brasil, daqui a três anos. Quer dizer, um camisa 9 do nível dos que vimos entre 86 e 2006.

A própria Seleção sub-20 que brilhou no Sul-Americano semana passada não apresentou ao mundo nenhum atacante de área especial.

Mano Menezes sabe disso e está procurando o seu centroavante. Já testou Hulk para a posição, por exemplo. Assim como Dunga descobriu Afonso Alves, descartado logo depois por razões óbvias: ele não era o novo Ronaldo, nem Luís Fabiano. Era muito menos, como o tempo se encarregou de mostrar.

Dias depois da final da Copa de 94, Tino Marcos apresentou dois jogadores. Um deles de fato garantiu tranquilidade para o ataque brasileiro nos anos seguintes, nos dando um título mundial e um vice-campeonato.

Diante desse momento de incerteza que a aposentadoria de Ronaldo desperta, tudo o que se deseja é que Tino Marcos apareça na TV novamente para mostrar candidatos à camisa 9 da Seleção. Quem sabe ele não acerta outra vez?



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